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Informativo BACK DOOR para Timor L'este home
"A situação de instabilidade
continuada (fortemente dependente do comportamento das milícias,
Forças Armadas e governo indonésio) obrigou a comunidade
internacional e os timorenses a alterar a posição inicial
de não criação de FA para o território. Apenas
600 efectivos das FDTL serão treinados até finais de 2001,
o que impõe a necessidade da continuação de uma presença
de militares e observadores internacionais até que as milícias
em Timor Ocidental sejam desmanteladas, desarmadas e os seus elementos
levados a julgamento."
Observatório
Timor Leste
Ref: DEF01-17/05/2001por
Assunto: Forças de Defesa de
Timor Leste: custos da segurança
Resumo
Contexto
Os
Factos
Conclusões
Nota
Resumo:
O Conselho de Segurança decidiu uma intervenção
militar internacional em TL após o voto a favor da independência
mas não estabeleceu claramente os seus objectivos nem as perspectivas
de futuro, o que levou a interpretações divergentes, à
marginalização das forças timorenses da resistência
armada e a atrasos na definição das novas Forças Armadas
de Defesa de TL. O bom senso acabou por vencer e as FALINTIL constituem
a base dessas forças.
Contexto:
As FALINTIL foram criadas em 20 de Agosto de 1975 enquanto braço
armado da FRETILIN, ainda durante o período de guerra civil. Desde
a ocupação militar Indonésia em Dezembro de 1975 as
FALINTIL conduziram operações militares contra o exército
invasor a partir de bases montadas nas montanhas de Timor Leste. Em 1987,
já sob o comando de Xanana Gusmão, a guerrilha reorganiza-se
e despartidariza-se tornando-se o símbolo da luta popular, já
não só da FRETILIN como de todos os quadrantes políticos
favoráveis à independência.
Com os acordos de 5 de Maio de 1999 a guerrilha suspende as suas operações
após 24 anos de luta contra o opressor. A existência de grupos
armados pró-autonomia (milícias) e pró-independência
(FALINTIL) levou a UNAMET (missão das NU encarregue de velar pela
realização da consulta popular) a criar uma Comissão
para a Paz e a Estabilidade através da qual se criariam as condições
favoráveis para um processo eleitoral sem intimidações.
A 18 de Junho foi assinado em Jacarta um código de conduta através
do qual ambas as partes se deviam reger durante e após o processo
de consulta, o que implicava um comprometimento de concentrarem as forças
em áreas pré-determinadas e de deporem as armas antes da
consulta popular. As FALINTIL, decidiram, de forma unilateral, acantonar
as suas tropas em quatro zonas do território, recusando no entanto
a deposição das armas até que o contingente militar
indonésio fosse reduzido e os efectivos que permanecessem no território
fossem aquartelados. A guerrilha confinou-se aos acantonamentos, ainda
durante o período de recenseamento, sendo estes considerados genuínos
pelos observadores militares. Apesar de todas as provocações
de militares indonésios e milícias no período pós-referendo
as FALINTIL, num acto de surpreendente disciplina, respeitaram o apelo
do seu comandante em chefe, Xanana Gusmão, de não agressão
mantendo-se nos acantonamentos, posteriormente resumidos a Aileu, até
à sua dissolução e integração nas Forças
de Defesa de Timor Leste (FDTL) em Fevereiro de 2001.
Factos:
As FALINTIL e a INTERFET: a indefinição do mandato
-
A Resolução 1272, 25 de Outubro, que encarrega a UNTAET de
"estabelecer a segurança e manter a paz e a ordem em todo o território
de Timor Leste", não acrescenta nada.
-
A ambiguidade do mandato originou diferentes leituras da Resolução
1272: "A política é a de desarmar qualquer timorense que
não esteja nas TNI [FA indonésias]…vamos desarmá-los
a todos"; Xanana reage dizendo que as FALINTIL não devem ser
consideradas como "um bando de bandidos". "Desarmar as pessoas
de todas as tendências políticas ou militares em Timor Leste
faz parte do mandato da INTERFET" diz o seu porta voz, Coronel Duncan
Lewis; "O que a reunião do Conselho de Segurança em Nova
Iorque discutiu foi os massacres, a destruição de Timor Leste
pelo exército indonésio e as milícias. (...) eles
não adoptaram uma resolução para desarmar as FALINTIL"
responde José Ramos Horta. Sobre a protecção da população
ameaçada pelas milícias pró-indonésias, o coronel
declara que é "claramente da responsabilidade da INTERFET";
sim mas não está ainda a fazê-lo, responde Ramos Horta:
"o que propomos é acelerar a implantação da INTERFET,
(...) criar uma nova força de segurança Timorense, e então,
sim, poderemos falar de desarmamento. (...). Se desarmar as FALINTIL
agora a INTERFET pode perder completamente a confiança do povo de
Timor Leste" (Australian Broadcasting Corporation, 5-10-99).
-
Em Novembro um grupo de membros das FALINTIL é desarmado pela INTERFET
no Distrito de Bobonaro. Xanana Gusmão desloca-se de Aileu para
Dili escoltado pelos guardas das FALINTIL e não por elementos da
INTERFET como estava acordado. O general Cosgrove considera esta atitude
como uma "clara violação ao espirito do nosso mandato..."
mas desdramatiza: classificando-a de "pequeno incidente" (Lusa,
19-11-99).
-
NU, INTERFET, FALINTIL e Xanana acordaram no desarmamento de 55 combatentes
de forma a serem integrados num grupo civil de segurança das NU
para fazer protecção não armada em Dili. "Este
é o primeiro passo em que um elemento das FALINTIL se vai reintegrar
na sociedade timorense com um bom emprego e nós estamos muito contentes
que esse passo tenha sido dado" afirma o coronel Mark Kelly, mas Xanana
deixa claro que isto não é a solução para os
seus combatentes (Straits Times, 27-11-99). Para Gusmão como para
Ramos Horta as FALINTIL devem participar na futura força de defesa:
"Quando
a nova estrutura defensiva de Timor for definida, eles devem ser os primeiros
entrevistados" (Lusa, 6-12-99).
-
Alguns veteranos começam a regressar às suas casas, mas o
comandante Lere assegura que o objectivo das FALINTIL continua a ser servir
a população, daí estarem a aceitar novos recrutas.
A passagem da força de intervenção de paz para a de
manutenção é vista pelos lideres como a oportunidade
para negociar um papel mais activo para as suas forças: "vamos
propor que tenhamos um papel mais activo, devendo ser-nos permitido andar
armados como fizemos nos últimos 24 anos". Na hora da partida
o Gen. Peter Cosgrove disse estar optimista: "As FALINTIL devem ser
consideradas e envolvidas. Eles merecem respeito (…) As NU não podem
colocá-las de parte. Um acordo honroso pode ser alcançado"
(Deutsch Press- Agentur, 4-2-00)
UNTAET/PKF - as FALINTIL marginalizadas no acantonamento
-
A 23 de Fevereiro de 2000 a INTERFET transfere formalmente o comando para
a UNTAET/PKF.
-
UNTAET e CNRT têm as primeiras conversações sobre o
futuro das FALINTIL. Vieira de Mello reconhece que a situação
das FALINTIL no acantonamento de Aileu é "horrível"
porque, ao contrário do resto da população, não
recebem ajuda humanitária, e promete ajuda imediata das NU para
melhorar as condições sanitárias e de alimentação
(SMH, 16-3-00)
7b -Taur Matan Ruak, comandante efectivo das FALINTIL [o comandante
em chefe é Xanana Gusmão], sublinha que "a INTERFET foi
substituída pelas PKF" e pergunta "quem substituirá
as PKF quando o seu mandato acabar?" "Um dia eles vão sair
e nós temos que estar preparados para manter a paz" (Asia Week,
17-3-00). As NU mantêm a posição de que todas as forças
irregulares devem ser desarmadas e desmanteladas (ibem)
7c -Face à violência pós referendo e à situação
de insegurança, o CNRT considera necessário constituir uma
força de defesa nacional, seja ela polícia armada ou do tipo
‘gendarmerie’ francesa, nem que para isso o mandato da UNTAET tenha de
se revisto para se poder dar esse papel às FALINTIL (SMH, 16-3-00).
7d -Xanana Gusmão escreve a Kofi Annan reforçando a determinação
de transformar a guerrilha no núcleo de uma futura força
de defesa. Ao contrário da hipótese de existência de
uma força policial a carta refere uma força que compreende
uma componente aérea e uma naval (Lusa 28-4-00). A mudança,
que provoca alguma surpresa em Nova Iorque, deve-se ao agravamento da situação
com infiltrações de milícias a partir da Indonésia.
-
Num primeiro reconhecimento de que as FALINTIL poderão constituir
o núcleo de uma futura força de defesa nacional são
nomeados 4 oficiais de ligação que servirão nos 3
sectores das PKF e no comando central de Dili. "Não podemos deixar
Timor num total vaco de segurança". "Eles precisam de começar
a desenvolver a futura força de segurança e as FALINTIL podem
ser o núcleo desse grupo" diz o Cor. Nymo porta-voz das PKF
(SMH, 11-5-00).
-
Para combater a indisciplina crescente resultado da marginalização
e falta de perspectivas quanto ao futuro dos seus membros, a direcção
das FALINTIL decide uma reorganização que consiste na extinção
da 5a Companhia, chefiada pelo comandante Ely Fohorai Boot,
também dirigente dum grupo chamado "Sagrada Família" e sua
redistribuição nas outras companhias, o que alguns não
aceitam (UNTAET, 31-5-00).
-
Um incidente que envolve dois membros das FALINTIL em Dili dá origem
a uma expedição de cerca de 60 deles para vinga-los. Embora
tenham saído do acantonamento desarmados e tenham sido interceptados
a tempo pela polícia e PKF, este incidente é um sinal do
descontentamento crescente e quebra de disciplina no acantonamento e conduz
à formação de uma equipa de administração
de conflitos liderado pelo chefe de operações das PKF e com
representantes dos assuntos políticos da UNTAET, Civpol, FALINTIL
e observadores militares das NU (UNTAET Daily Brefing, 21-6-00). Na conferência
de doadores de Lisboa, Xanana Gusmão alerta para o estado de "quase
rebelião" em que se encontram as FALINTIL: "se continuarmos
a não dar apoio às FALINTIL, relegando-os a uma existência
sub-humana, vamos todos pagar um elevado preço político e
social" (AP, 22-6-00). Vieira de Mello confirma, no seu discurso no
Conselho de Segurança das NU, que apesar de se manterem disciplinadas,
as FALINTIL começam a mostrar sinais de impaciência uma vez
que não estão a trabalhar e existem muitas incertezas quanto
ao seu futuro (UN Security Council, 27-6-00).
-
"O maior problema [com os membros das FALINTIL] é que
as organizações humanitárias têm um princípio,
que é de não dar assistência a combatentes" diz
S. Vieira de Mello. Por outro lado "a resolução 1272 do
Conselho de Segurança ... não diz para desarmar as FALINTIL,
desmobiliza-las ou de transforma-las" (ABC, 29-6-00).
Que futuro para as FALINTIL ?
-
No 25 aniversário das FALINTIL, Xanana refere que as futuras forças
de defesa terão como principio a não agressão, estabelecendo
acordos de cooperação com a Austrália, Nova Zelândia,
Indonésia e membros da ASEAN e com países amigos como Portugal,
UK, EUA e Brasil entre outros. Profissionalismo e sustentabilidade são
dois princípios a ter em conta: profissionalismo que requer que
os militares se abstenham de pertencer, ou apoiar, forças políticas,
grupos económicos ou organizações de cariz social;
sustentabilidade devido às características de um país
como Timor sem infra-estruturas económicas para sustentar os custos
das forças armadas (CNRT, 20-8-00).
12b - Vieira de Mello declara que 1500 FALINTIL poderão formar
o núcleo das futuras forças armadas, e que tem uma carta
de Kofi Annan na qual o S.G. das NU reconhece o papel das FALINTIL "passado,
presente e futuro" (SMH, 21-8-00).
12c - Embora insistam na criação duma força de
defesa do território, os dirigentes timorenses e muito especialmente
José Ramos Horta, ‘ministro’ dos Negócios Estrangeiros, não
se cansa de relembrar que a melhor defesa é a diplomacia: "(…)
mais importante do que um exército é preciso desenvolvermos
possíveis relações próximas com os países
da região" (SMH, 8-6-00).
-
A incursão de elementos das milícias no território
aumenta. O continuo clima de medo vivido pelas populações
e a incapacidade das PKF em identificar os grupos de milícias, enquanto
as FALINTIL continuam acantonadas, aumenta a frustração dos
ex-guerrilheiros. "As FALINTIL conhecem melhor o terreno que qualquer
outro, certamente melhor que as nossas tropas" diz Vieira de Mello
(AP, 29-8-00). Ramos Horta admite que membros das FALINTIL poderão
abandonar o acantonamento em perseguição das milícias
(SMH, 30-8-00).
-
O número de oficiais de ligação das FALINTIL nos PKF
é aumentado de 10 para 67, para dar assistência em todos os
distritos com excepção de Oecussi (UNTAET Daily Briefing,
5-9-00). O aumento da actividade das milícias levou também
à suspensão da planeada redução de tropas das
NU (ONU CS, 20-1-01).
-
A falta de indicações por parte do Conselho de Segurança
sobre o futuro das forças de defesa de Timor Leste leva as NU a
aceitar uma proposta do Governo inglês para a realização
dum estudo sobre a questão. O estudo é pedido ao Centro de
Estudos de Defesa do King's College de Londres. A 7 de Julho chegou a Dili
uma equipa formada por peritos da Alemanha, África do Sul, Moçambique
e EUA, com a missão de produzir em 6 semanas um relatório
sobre a futura segurança do território (UNTAET Daily Briefing,
5-7-00). O estudo refere que as "FALINTIL sentem-se marginalizadas"
(Far Eastern Economic Review, 21-9-00).
-
As suas propostas são:
-
uma força de 3000 a 5000 militares cujo núcleo seja fundado
sobre a ex-resistência, equilibrada por militares do contingente,
a opção mais próxima da posição das
FALINTIL;
-
uma base profissional regular de 1500 homens, apoiada por um mesmo número
de conscritos a cumprir um ano de serviço nacional;
-
uma força de 3000 elementos, metade [regulares] das ex-FALINTIL
e 1500 reservistas. Esta foi considerada a melhor opção pelo
estudo no que respeita às necessidades defensivas do território
e a sustentabilidade dos custos (Jane's Intelligence Review, 1-11-00)
Criação das Forças de Defesa de Timor Leste
(FDTL)
-
a - O Conselho de Ministros da ETTA [Administração Transitória
de Timor Leste] aprova a terceira opção do King’s College
(12-9-00) Uma Conferência de países doadores reunida em Dili
com a participação de 12 países debate a ajuda a dar
à futura força de defesa cujos treinos devem começar
em Janeiro de 2001 (UNTAET, web 24-11-00). Portugal e a Austrália
surgem como os principais países de fornecimento de armas, treinos
e logistica (Inter Press Service, 17-1-01) enquanto a Tailandia propõe
ajudar as aldeias próximas da fronteira a assegurar a sua autodefesa
(Bangkok Post, 16-1-01). A Austrália contribuirá com $AUD26
milhões e procederá a "treino específico" para o qual
Camberra contribuirá com $AUD12.5 milhões para 5 anos. A
Austrália fornecerá 360 espingardas M16 (AAP, 2-2-01). O
"treino básico" será feito por Portugal, que se comprometeu
em ajudar a edificar a marinha, incluindo formação aos tripulantes
e reservistas, manutenção e apoio aos barcos de patrulha
(Inter Press Service, 17-1-01).
b - O Conselho de Ministros da ETTA cria um gabinete de desenvolvimento
da Força de Defesa (UNTAET, 20-12-00). Este faz parte da ETTA [Administração
Transitória de Timor Leste] e supervisionará e coordenará
todas as actividades relacionadas com o desenvolvimento da força
de defesa, bem como das relações bilaterais e multilaterais
(UNTAET, 2-2-01)
-
Conselho Nacional (CN, que faz função de mini Parlamento
provisório) foi solicitado a aprovar a legislação
que dissolve as FALINTIL e cria a FDTL, legislação que tinha
sido aprovada pelo Conselho de Ministros em 17 de Janeiro. O CN debateu
e aprovou a legislação para a criação das FDTL
no dia 29 de Janeiro de 2001 numa sessão em que participaram 18
dos seus 36 membros. Este processo mereceu o protesto do Forum das ONG's
por considerarem que o NC foi pressionado pelos timmings impostos (UNTAET
Daily Briefing, 29-1-01 e NGO Forum, 29-1-01).
-
As FDTL serão compostas de dois ramos, exército e marinha.
Terão um total de 3000 membros, 1500 regulares (total a ser atingido
em 3 anos) e 1500 reservistas (chamados regularmente para treinos). O primeiro
batalhão será composto inteiramente por 650 elementos das
FALINTIL já seleccionados (UNTAET, 31-1-01). [600 homens para o
exército e 36 para a marinha segundo Taur Matan Ruak, comandante
das FALINTIL e chefe da nova força (BBC, 25-12-00) ].
-
É criada a Associação de Veteranos das FALINTIL pelo
ETTA que será o fiel depositário da herança das FALINTIL
(UNTAET Daily Briefing, 31-1-01).
-
As FALINTIL deixam formalmente de existir no dia 1 de Fevereiro, dando
lugar à Força de Defesa Nacional de Timor Leste (FDTL) numa
cerimónia em que a bandeira é substituída temporariamente
pela das NU. Esta passagem não integra automaticamente todos os
antigos guerrilheiros, passando a escolha pela opção dos
mesmos ou por testes de selecção. As provas de Classificação
e Selecção foram divididas nas seguintes fases: identificação,
exames médicos e provas sensoriais, aplicação de testes
psicotécnicos e entrevistas. Em 28 de Janeiro 650 elementos, entre
os 1736 candidatos, foram seleccionados e recrutados. Para o próximo
batalhão, o recrutamento será aberto a homens e mulheres
maiores de 18 anos (UNTAET, 2-2-01). A passagem das FALINTIL para as FDTL
mereceu o protesto da OJETIL [organização juvenil] por considerarem
que se trata de uma traição aos que lutaram pela libertação
de Timor (Suara Timor Lorosae, 1-2-01).
-
A missão das FDTL consiste na defesa militar do povo e território,
parar as incursões de milícias e dissuadir agressores. Poderá
prestar assistência em caso de emergência e desastres naturais
(ibem). Cabe às PKF a defesa e segurança do território
até à independência.
-
O treino militar, planeado para o inicio de Janeiro, começará
com 200 homens, sendo que as expectativas são de treinar um total
de 600 elementos até finais de 2001 (Lusa, 22-11-00).
-
Programa de Assistência e Reinserção das FALINTIL
(FRAP)
-
A OIM lançou um programa de 1 ano para reintegrar os cerca de 1050
desmobilizados das FALINTIL na vida civil. O projecto, de 108,000$US, será
financiado pela USAID e Banco Mundial (OIM, 12-12-00). O FRAP será
administrado em Dili pela OIM e suportado pelos gabinetes distritais de
Aileu, Batugade, Suai, Oecussi, Baucau, Viqueque e Lospalos. Uma rede de
oficias veteranos dará também apoio na reinserção
(Ibem, 2-2-01). A OIM prevê que este programa irá beneficiar
5250 pessoas, entre antigos combatentes e familiares (OIM web, 6-2-01).
-
O FRAP compreende 4 fases:
-
Fase I- Acantonamento e registo: identificação e verificação
da identidade dos guerrilheiros, distribuição de cartões
de identidade e construção de uma base de dados através
da recolha de informações socio-económicas tais como
idade, nível de escolaridade, qualificações, saúde
e estrutura familiar. A WFP é a responsável pela distribuição
de alimentos, água e estabelecimento de condições
sanitárias;
-
Fase II- Desmobilização e partida: implica a entrega das
armas, rastreio médico, orientações de como proceder
à desmobilização, exoneração dos cargos
e transporte para as comunidades escolhidas. A WFP concede um pacote adicional
de alimentos (20kg de peixe em conserva e 5l de óleo) para os desmobilizados
que regressam às suas comunidades;
-
Fase III- Reinserção nas comunidades e um subsídio
mensal de 100 $US durante os 5 meses após a exoneração
do cargo;
-
Fase IV- Reintegração e subsistência sustentada: inclui
formação e um pacote inicial de ferramentas que permita a
auto-suficiência em áreas como a agricultura, pesca ou micro
empresas. Compreende ainda ajuda na obtenção de terra, formação
profissional, programas de assistência comunitária e educação.
-
Gascom, chefe da missão da OIM em Dili, apesar de admitir que começar
a formar os antigos veteranos, para integrá-los em ocupações
civis, pode ser difícil,, considera que a reinserção
dos mesmos na comunidade será relativamente fácil: " os
elementos das FALINTIL são muito respeitados em Timor.(…) Eles têm
fortes laços familiares nas suas comunidades" (ibem). Esta é
uma opinião não partilhada pelo Brigadeiro-General Ruak:
"alguns
perderam as suas famílias, outros não casaram devido à
luta, e alguns não têm mesmo nada- roupas, mobília"
(AAP, 1-12-00).
-
Iniciada a fase III do FRAP 718 elementos desmobilizados regressam às
suas comunidades. Uns com alguns ressentimentos por não terem sido
integrados nas FDTL, mas que como soldados devem obedecer a ordens, e outros
contentes: Afonso Ximenes, que esteve 2 anos na guerrilha pretende voltar
para a universidade, embora demostre preocupação em relação
aos veteranos: "nós somos novos e podemos começar as nossas
vidas de novo. Mas vai ser muito difícil para eles". Adelino
da Costa Tilman, um veterano, pretende voltar a trabalhar na agricultura,
profissão que largou há 16 anos para se juntar às
FALINTIL: "mas já foi há muito tempo e tudo mudou"
(OIM web, 6-2-01).
-
994 dos 1093 FRAP participantes já se registaram na OIM tendo recebido
os cartões de identidade, o pacote alimentar e o subsídio
de 100 $US. Os participantes do programa estão maioritariamente
concentrados em Ermera (258), Baucau (181), Viqueque (132) e Lospalos (104).
Na segunda semana de Fevereiro realizou-se o primeiro encontro do comité
de direcção de projectos com representantes da OIM, Banco
Mundial, USAID, observadores militares das NU e das PKF. que irão
supervisionar o apoio financeiro transitório e a formação
dos ex-combatentes (OIM Press Briefing, 16-02-01).
Conclusão:
-
A principal garantia de segurança para Timor Leste deverá
ser a sua diplomacia, mas devido a lentidão da evolução
democrática na Indonésia e à relação
de força entre os dois países a diplomacia internacional
deve manter a sua pressão para garantir o equilíbrio.
-
A situação de instabilidade continuada (fortemente dependente
do comportamento das milícias, Forças Armadas e governo indonésio)
obrigou a comunidade internacional e os timorenses a alterar a posição
inicial de não criação de FA para o território.
Apenas 600 efectivos das FDTL serão treinados até finais
de 2001, o que impõe a necessidade da continuação
de uma presença de militares e observadores internacionais até
que as milícias em Timor Ocidental sejam desmanteladas, desarmadas
e os seus elementos levados a julgamento.
-
A manutenção de 3000 membros das FDTL, perto de 1/3 do número
total dos futuros funcionários públicos de Timor Leste, implica
custos significativos para o novo país e reduz os recursos a afectar
a outras áreas de serviços e administração.
A responsabilidade internacional no processo de transição
não o pode ignorar.
Nota: Documentos
e informações recolhidos sobre este assunto foram reunidos
pelo Observatório Timor Leste, entre 29-09-1999 e 09-04-2001, num
caderno temático de 50 páginas, "Defense - ref. DEF01" (para
mais informações e encomendas contactar o Observatório
Timor Leste).
Observatório
para o acompanhamento do processo de transição em Timor Leste
um programa da 'Comissão para os Direitos do Povo Maubere'
Coordenadora: Cláudia Santos
Rua Pinheiro Chagas, 77 2ºE - 1069-069
Lisboa - Portugal
tel.: 21 317 28 60 - fax:
21 317 28 70 - correio electrónico:
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URL: http://homepage.esoterica.pt/~cdpm
Portuguese:
Observatório
Timor Leste Updated Jan 25
Duas Organizações Não
Governamentais portuguesas, a COMISSÃO PARA OS DIREITOS DO POVO
MAUBERE (CDPM) e o grupo ecuménico A PAZ É POSSÍVEL
EM TIMOR LESTE que, desde o início da década de oitenta,
se solidarizam com a causa do Povo de Timor Leste, tomaram a decisão
de criar o OBSERVATÓRIO TIMOR LESTE. A vocação do
Observatório Timor Leste é, no quadro das recentes alterações
do regime de Jacarta face a Timor Leste, o acompanhamento, a nível
internacional, do processo negocial e, no interior do território,
do inevitável período de transição que se anuncia.
correio electrónico: cdpm@esoterica.pt
URL: http://homepage.esoterica.pt/~cdpm/framep.htm
English:
East
Timor Observatory Updated Jan 25
ETO was set up by two Portuguese NGOs
- the Commission for the Rights of the Maubere People (CDPM) and
the ecumenical group Peace is Possible in East Timor, which
have been involved in East Timor solidarity work since the early eighties.
The aim of the Observatory was to monitor East Timor's transition process,
as well as the negotiating process and its repercussions at international
level, and the developments in the situation inside the territory itself.
E-mail: cdpm@esoterica.pt
Homepage: http://homepage.esoterica.pt/~cdpm/frameI.htm
French:
Observatoire
Timor-Oriental Updated Jan 25
Deux Organisations Non Gouvernementales
portugaises, la ‘Commission pour les Droits du Peuple Maubere’ et l’association
oecuménique "La Paix est Possible au Timor Oriental", qui se solidarisent
avec la cause du peuple du Timor Oriental depuis le début des années
80, ont pris la décision de créer un OBSERVATOIRE TIMOR ORIENTAL.
La vocation de cet observatoire est d’accompagner le processus de transition
du Timor Oriental, aussi bien le processus de négociation que ses
répercussions au niveau international et l’évolution de la
situation à l’intérieur du territoire.
courrier électronique: cdpm@esoterica.pt
URL: http://homepage.esoterica.pt/~cdpm/framef.htm
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Informativo BACK DOOR para Timor L'este home
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