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DOOR Carta de notícias em Timor Leste
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"Tem dito que não há acordo
ainda com a Austrália sobre a partilha
petrolífera do mar de Timor. José Ramos-Horta disse ao
PÚBLICO (edição
de 3/5) que se está à espera apenas da
resolução de alguns "detalhes
técnicos". Que detalhes são esses e quando vão ser
negociados?" Publico
"Costuma-se dizer que é no detalhe que está o diabo.
É bom não
permitirmos que esse espaço seja ocupado pelo diabo. Todo o
nosso
esforço tem ido para encontrarmos uma solução
criativa.” Mari Alkatiri, Primeiro-Ministro de Timor-Leste
Ver: Inglêsa:
2
June 2005 TSJC: More Talks Needed ...
Ver: português:
18 maio 2005
JNS: A
mentira australiana
Publico.pt
Página
de casa: http://www.publico.clix.pt/
Fonte: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1224557&idCanal=11
31 maio 2005
Primeiro-ministro timorense chega hoje a Portugal
Mari Alkatiri: "Prioridades de
Timor-Leste continuam a ser a justiça e a
educação"
31.05.2005 - 08h49
Adelino Gomes(PÚBLICO)
Esteve três semanas sob fogo
constante da mais forte das instituições timorenses, a
Igreja católica. Na hora do balanço, Mari Alkatiri
conclui que "o povo sabe, melhor do que muitos, separar muito bem
política da religião".
Antes de chegar a Portugal, o
primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, esteve em Bruxelas, na
Finlândia e na Noruega, o país onde se inspirou para a
criação do Fundo do Petróleo que tem por objectivo
gerir, "para que mais rendam", as receitas com que Timor-Leste conta
para sair do ranking dos países mais pobres do mundo. Entrevista
dada por telefone, sexta-feira passada.
PÚBLICO
- Tem dito que não há acordo ainda com a Austrália
sobre a partilha petrolífera do mar de Timor. José
Ramos-Horta disse ao PÚBLICO (edição de 3/5) que
se está à espera apenas da resolução de
alguns "detalhes técnicos". Que detalhes são esses e
quando vão ser negociados?
MARI
ALKATIRI - Costuma-se dizer que é no detalhe que
está o diabo. É bom não permitirmos que esse
espaço seja ocupado pelo diabo. Todo o nosso esforço tem
ido para encontrarmos uma solução criativa.
Essa
solução não foi já encontrada?
As linhas fundamentais. Mas falta o
detalhe da redacção que deve ser dada para não
permitir que as nossas reivindicações respeitantes
às fronteiras sejam prejudicadas.
Quando é
que esses detalhes estarão negociados?
Estamos a trocar e-mails para ver se
o acertamos. Devemos precisar de mais uma ou duas rondas de
conversações.
O acordo de
princípio com a Austrália afasta a ameaça de
bloqueio económico ao seu país, que parecia estar com a
corda na garganta. Mas tendo em conta os prazos de que se fala - 40, 50
anos - o eventualmente bom negócio para a sua
geração não se poderá tornar num mau
negócio para as gerações futuras?
Precisamente o contrário. Vai
tornar-se um bom negócio para as gerações futuras,
e talvez possa ser mau para as nossas.
Porquê?
Porque confere-lhes o direito de
decidir sobre as questões fundamentais sem a pressão das
necessidades actuais ligadas aos desenvolvimento e à
credibilização do Estado perante a comunidade
internacional, particularmente os investidores, e acima de tudo
à necessidade de desanuviar as relações com os
vizinhos. É isso que estamos a gerir neste momento. Temos vindo
a fazê-lo com um certo cuidado no sentido de manter firmeza nas
nossas reivindicações, não as comprometendo, e
encontrar soluções para aprofundar as
relações com os vizinhos.
Está a
contar já com as receitas do petróleo neste
próximo ano fiscal (que começa em 1 de Julho)?
Receitas deste acordo que estamos a
negociar de certeza que não. Se vierem dentro de seis, sete anos
já será com muita sorte.
Poderemos falar
nessa altura de Timor como um Estado petrolífero?
Já começa a
sê-lo. Começámos já a receber receitas de um
dos campos [Bayu-Undo, de onde se calcula poder Díli receber em
duas décadas um total de 3 mil milhões de
dólares]. É preciso não esquecer que
começámos o nosso Fundo de Petróleo com receitas
equivalentes a 75 por cento do nosso produto interno bruto. É
alguma coisa de substancial para um país que está a
começar.
Dentro de poucos
anos Timor-Leste deixará de depender da boa vontade dos
países doadores?
Em termos financeiros talvez sim. Mas
manter-se-á a necessidade em termos de ajuda técnica.
Timor-Leste
continua afectado por problemas do desemprego, fraco investimento,
crise da agricultura, crise na justiça. De quem é a
culpa? São os senhores, a geração da
vitória sobre a ocupação, que estão a
falhar?
Não sei se falhámos.
Quando tomei posse no dia 20 de Maio de 2002 deixei claro, nos cinco
minutos que me deram, que este Governo ia dar prioridade acima de tudo
à constituição das instituições.
Também disse que este Governo seria uma escola de
governação.
Que país
é esse hoje, então?
Hoje em dia posso dizer que
represento um país onde a paz e a estabilidade se viram
consolidados. Um país onde, no curto espaço de três
anos, se foi capaz de erigir dos escombros instituições
do Estado. Um país que se afirma, cada vez mais, com as
características próprias de um Estado democrático
e moderno. Um país onde há agora 300 mil crianças
que todos os dias vão à escola (mesmo que estas
não tenham grande qualidade, mas isso leva tempo). Um
país onde a assistência na saúde é gratuita
para toda a população.
Mas um país
com grandes desafios pela frente...
Não se podia avançar
logo em 2002 para grandes investimentos públicos e privados no
vazio institucional em que nos encontrávamos. Seria um desastre.
Havia que definir etapas. A verdade é que o país mudou
completamente. Esta governação tem merecido os elogios
mais rasgados dos nossos parceiros de desenvolvimento, e estes -
particularmente o Banco Mundial e o FMI - têm-nos dado como
exemplo a outros países.
Insisto: há
um desemprego tremendo, o investimento é fraco, a agricultura
vive em crise (chegou a falar-se de fome este ano outra vez), há
uma crise na justiça.
Essa reconheço. A
justiça é a mais fraca de todas as
instituições do Estado. Não quero deitar culpas a
ninguém mas a confusão que foi trazida para Timor-Leste
[pela ONU, em 1999] com conflitos entre diferentes opções
de sistemas de direito [o civilista e o commnon law
anglo-saxónico] só atrasou o processo. Tivemos que tomar
mais uma vez medidas drásticas e avaliar os juízes e
procuradores-gerais. Infelizmente, nenhum passou na
avaliação. Optámos por criar um curso de
formação de dois anos e meio - é quase um novo
curso de Direito.
Quem dá
esse curso?
Dois juízes, e juristas de
várias nacionalidades, mas todos do mundo civilista.
Quais os
três desafios mais importantes que o país enfrenta neste
momento?
Mais uma vez o da
consolidação das instituições do Estado. A
seguir o do emprego, que é uma questão gravíssima
- em cada ano temos 15 a 20 mil novas pessoas à procura de
emprego. E depois, a capacidade para atrair investidores estrangeiros.
O Presidente,
Xanana Gusmão, elogiou a sua "paciência e
ponderação" ao lidar com a recente crise com a Igreja. De
qualquer modo, nada será como dantes. Até porque existe
agora uma comissão permanente de consulta. Quais as suas
funções? E poderes?
Vamos ser claros:
ponderação, paciência, têm sido, a par da
firmeza e clareza nas posições, as formas como este
Governo tem pautado a sua actuação. O acordo assinado com
a Igreja católica partiu do princípio de que havia uma
diferença de pontos de vista em algumas questões. O
conflito começou com o ensino da Religião e Moral, mas
neste caso específico, pelos vistos, houve um simples
desentendimento ou um entendimento diferente dos conceitos.
Um comentador
credenciado, em Portugal, achou que o Estado de Timor ficou de joelhos
diante da Igreja católica, ao aceitar, como exigiram os bispos,
que o aborto e a prostituição fossem declarados crimes.
Com o devido respeito, esse
comentador deve estar mais credenciado a opinar sobre outros
países. Essas duas questões foram trazidas para o
comunicado, realmente, mas eu informei os dois bispos que não
era da competência do Governo, e muito menos do
primeiro-ministro, criminalizar fosse o que fosse.
Mas o senhor, que
representa o partido maioritário (Fretilin), assumiu, ao
subscrevê-lo, o compromisso de adequar a lei a esse desejo.
Há questões - incluindo
em Portugal, que tem mais de 800 anos de vida - que continuam em
debate, independentemente das maiorias. Uma delas é precisamente
o aborto. Trata-se de questões que mexem com a consciência
de cada indivíduo, e quando assim acontece é melhor
deixar que a sociedade faça o seu debate, de forma aberta. O
comunicado tem o mérito de trazer a questão para a
sociedade e é isso que irá acontecer de certeza. Disse
isso ao bispo Dom Basílio do Nascimento, antes da assinatura.
Mas irá levar muito tempo até que se chegue a consenso.
Que
lições, enquanto chefe do Governo, tirou desta crise
prolongada?
Uma lição
importantíssima e reconfortante: o povo sabe, melhor do que
muitos, separar muito bem política da religião; o Estado
das Igrejas. Por isso mesmo é que, apesar de todo o
esforço feito, o número de manifestantes nunca
ultrapassou os cinco mil.
E não tirou
nenhuma lição de erros cometidos? A sua
governação tem sido contestada.
Sempre pelas mesmas pessoas. Quando
começarem a dizer bem, é que fico preocupado.
Não acha
que há alterações a fazer?
Nunca ouvi ninguém que viesse
com propostas claras de mudança, que representassem uma
oposição séria e capaz. Contestar por contestar,
porque não gostam da minha cara, ou talvez da maneira como me
visto...
Desvalorizou a
recente adesão à Fretilin de um grupo de artes marciais,
Korka. Faz algum sentido um grupo de artes marciais aderir a um partido?
Não estão a aderir a
partido nenhum. Estão simplesmente a aderir a uma força
que tem um departamento de juventude e desporto que pode enquadrar esse
tipo de forças. No bom sentido. Ainda bem que existe a Fretilin
capaz de fazer isso. Se não ficarão como grupos
discriminados, identificados com a violência, quando são
afinal grupos de jovens que precisam de ser valorizados e apoiados.
Xanana
Gusmão considerou esta adesão "um mau precedente", pois
"pode conduzir à criação de milícias
partidárias"...
Já disse ao Presidente e posso
dizê-lo agora publicamente; discordo dessa opinião.
Costumo concordar com muitas opiniões dele, mas desta discordo.
Ele próprio está preocupado em enquadrar esses grupos,
para os tirar da violência. A Fretilin o que está a fazer
é precisamente isso.
Em 2003, ao
celebrar o primeiro ano de independência, disse: "Se o
crescimento económico for negativo em 2004, dou a mão
à palmatória. Se for positivo, então
façam-me consultor do Banco Mundial e do FMI..." Está a
preparar-se para algum cargo internacional?
Não há razões
para dar a mão à palmatória, porque o crescimento
não foi negativo. Quanto a candidatar-me a uma
posição internacional: ainda agora apoiei o nosso amigo
António Guterres, estou satisfeito. Enquanto for
secretário-geral da Fretilin e primeiro-ministro, não
tenho esses sonhos.
Ver:
Inglêsa:
2
June 2005 TSJC: More Talks Needed ...
Media release added 2 June 2005
"Following comments from East Timor’s
PM, Mari Alkatiri, that further negotiations would be required to iron
out details in a proposed resource sharing arrangement with Australia,
the Timor Sea Justice Campaign (TSJC) has accused Australia’s Foreign
Minister, Alexander Downer, of attempting to ‘steam roll’ the
impoverished nation. ... The TSJC claim the Downer posse has
mislead the Australian people, by suggesting the proposed resource
sharing agreement was ‘a done deal’, while East Timorese NGOs and
Government representatives still have significant concerns,
particularly about suspending their sovereignty over the areas for up
to 50 years." Timor Sea Justice
Campaign, Melbourne
português:
18 maio
2005 JNS: A
mentira australiana
Notícias de 24 maio
2005
“é absolutamente mentira,
não há
acordo e a haver, os termos em que a televisão ABC anuncia,
estaria
totalmente contra as minhas orientações, portanto, seria
nulo. Não há
acordo!” Mari Alkatiri, Primeiro-Ministro de Timor-Leste
Para faz conribucau
de editorial
para nos, manda wildwood@pcug.org.au
Endereso
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