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"a chegada dum grande número
de estrangeiros com necessidades de conforto e capacidades financeiras
superiores levou à satisfação prioritária deste
sector, ocupando edifícios e casas menos destruídas ou dando-lhe
primazia na reconstrução e fornecimento de bens. Mais de
um ano depois da chegada das NU, a imensa maioria dos timorenses, sobretudo
em Dili, vive em ruínas." Observatório
Timor Leste
Ref.: INFR02-22/12/2000por
Assunto: Reconstruir infra-estruturas adaptadas
e sustentáveis
Resumo
1. Transportes
2. Electricidade
3. Água
e instalações sanitárias
4. Comunicações
5. edifícios
públicos
Fundos
Conclusões
Nota
Resumo:
Muitos países, participando
no Trust Fund para Timor Leste administrado pelo Banco Mundial (TFET),
por acordos bilaterais, ou através das agências das NU ou
ONG internacionais, esforçam-se para reconstruir as infra-estruturas
destruídas em Agosto-Outubro de 1999. Os esforços são
significativos, mas a maior parte dos recursos é absorvida pela
máquina internacional que deverá prestar esta assistência
(692 milhões para a missão das NU e 59 milhões para
o orçamento de Timor, segundo o Administrador Transitório
S. Vieira de Mello, Reuters, 27-6). As ajudas são insuficientes
para repor as infra-estruturas anteriores a Setembro 1999 e o tempo de
transição será demasiado curto para atingir os objectivos
fixados. Alguns resultados anunciados parecem sobretudo destinados a mostrar
trabalho feito, mas podem ser contraditórios: a electricidade chega
a 85% do território, dizem as NU, ou a 22% das casas, de acordo
com um estudo realizado pelo International Fund for Agricultural Development.
O essencial para um futuro Timor Leste
independente será deixar infra-estruturas adaptadas ao território
e à sua população, e capacidades humanas e materiais
para a manutenção dessas infra-estruturas. Isso não
se faz no período, necessariamente curto, da transição
política.
-
Transportes
-
terrestres - As estradas de Timor Leste
não estavam preparadas para suportar os pesados meios de transporte
usados pelas forças de manutenção de paz das Nações
Unidas ou pelas agências internacionais. Com uma estação
de chuvas particularmente abundante, muitas estradas e pontes não
resistiram (Observatório Timor Leste, INFR01 & GOV01). O Banco
Asiático de Desenvolvimento (ADB), responsável pelas infra-estruturas
no quadro do TFET, desbloqueou 4,5 milhões de USD para obras de
urgência (ET Update, Maio-Junho 2000), enquanto o lento processo
de contratação, a nível internacional, só iniciou
a fase de pré qualificação em finais de Agosto (Banco
Mundial, 31-8).
"Mais de 70 candidaturas foram recebidas,
a maioria de timorenses", obras menores foram confiadas aos timorenses
para encorajar a criação de capacidades locais (TFET, 6-10).
A pré-qualificação permitiu identificar 55 contratantes
dos quais "cerca de 40 são timorenses com experiência e
capacidade técnica para tomar conta duma parte significativa das
obras" (BM-TFET, 9-11).
Em Junho realizou-se em Tibar (Dili), com
quadros timorenses e peritos estrangeiros, uma "conferência sobre
a reconstrução de Timor Leste" que traçou algumas
grandes linhas da reconstrução. No sector dos transportes
rodoviários, a conferência apontou a necessidade de criar
serviços nacionais e regionais; aproveitar os recursos locais e
estabelecer regras, controlos e impostos. Foram consideradas como prioridades
travessias norte-sul: de Dili a Suai com ligação para Same,
e de Baucau a Viqueque (Tibar Document, Junho 2000). A maior parte das
obras assinaladas realizaram-se neste dois eixos e no eixo central de Manatuto
à Natarbora. Algumas obras iniciadas na zona oeste tiveram de ser
interrompidas em Agosto por razões de segurança, o que poderá
impedir a sua entrada em serviço antes da estação
das chuvas (UNTAET, 24-8).
-
marítimos - As prioridades no
sector dos portos deveriam ser, no entendimento da Conferência de
Tibar, os portos de Dili e Hera/Caravela (perto de Dili, para fins militares)
na costa norte, Suai, Betano (Same) e Beaço (Viqueque) na costa
sul, e Oecussi no enclave do mesmo nome (Tibar document, 2-6). Os 3 portos
da costa sul (portos-praia) requerem barcaças de desembarque e empilhadoras
telescópicas todo-terreno para facilitar a descarga (Banco Mundial-TFET,
9-11). O "engarrafamento crítico" do Porto de Dili apontado
pelas NU (S/2000/738 SC) é uma das causas dos atrasos na reconstrução
em Timor (UNICEF, 28-8). S. Vieira de Mello considera que pequenos portos
como os da costa sul facilitariam a distribuição dos bens
por mar e criariam novos pontos de fixação para pessoas deslocadas
(The Economist, 26-8). A conferência de Tibar salientou também
a necessidade de estudos, regulamentos, acordos internacionais, tarifas...
-
aéreos - "Os aeroportos de
Dili e Baucau sofreram estragos devidos a uma manutenção
inadequada, destruição, roubo de equipamento e sobrecarga
nos meses recentes" (UN, S/2000/738 SC). A conferência de Tibar
indicou como primeira prioridade o aeroporto de Dili e como segunda prioridade
o de Baucau, para o turismo e transporte de carga, sem esquecer os aeroportos
regionais de Oecussi, Suai, Lospalos e Same. A conferência recomendou
também estudos sobre os recursos humanos, financeiros e materiais,
encorajando o envolvimento do sector privado.
A empresa Harvey World Travel estabeleceu
um serviço fixo em Dili que emprega uma duzia de timorenses no apoio
às companhias australianas Qantas e Air North. Segundo o director
da Harvey, 200 passageiros passam por Dili todos os dias (AAP, 7-6). A
companhia indonésia Merpati tem 3 voos por semana entre Dili e Bali
e uma companhia privada asiática ‘Dili Express’ obteve o acordo
da UNTAET para ligar Dili e Singapura via Bali duas vezes por semana (UNTAET,
10-7).
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Ligação ao enclave de Oecussi
- Este enclave, situado na parte indonésia da ilha e a 45 km da
fronteira com Timor Leste, tem actualmente 40.000 habitantes, outros estão
‘refugiados’ no Timor indonésio. As deslocações do
enclave para o resto de Timor Leste foram, desde Setembro de 1999, reduzidas
a alguns voos militares ou de organizações internacionais
de ajuda que muito raramente querem ou podem transportar timorenses. Ex-funcionários
da administração portuguesa que conseguiram deslocar-se a
Dili para receber as suas pensões viram-se na impossibilidade de
voltar; estudantes do Oecussi não conseguiram ir a Dili para fazer
as suas matrículas na Universidade. Encontros entre a UNTAET e as
autoridades indonésias revelaram divergências sobre a solução
para este problema, a UNTAET pediu o transporte por autocarros escoltados
por militares indonésios e as autoridades indonésias, aparentemente
por oposição dos militares, preferem o transporte marítimo.
Em Setembro realizou-se uma manifestação exigindo transportes:
"a UNTAET paga férias para os seus funcionários em Bali,
porquê não compram um ferry para as pessoas do Oecussi?"
(The Age, 23-9). O transporte de passageiros por barcos de mercadoria tinha
sido proibido pela UNTAET por falta de condições sanitárias
mas, em 27 de Setembro, o Governo decidiu, como solução temporária,
atribuir um subsídio à companhia East Timor Shipping and
Supply, com base na Austrália, para transportar passageiros. Quando
compram os seus bilhetes os passageiros são informados que a companhia
não assume responsabilidades (UNTAET, 27-9).
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Electricidade
-
Apesar da afirmação da UNTAET
(briefing 15-5 e update 30-6), que cerca de 85% de Timor Leste tem electricidade,
múltiplos testemunhos mostram que esta afirmação é
demasiado optimista; de facto os cortes são frequentes, mesmo para
hospitais e clínicas e mesmo em Dili; o facto acaba de ser oficialmente
reconhecido pela UNTAET que colocou mesmo à disposição
dos utentes um mapa e calendário das zonas da capital e dos dias
mais susceptíveis de cortes (East Timor Transitional Administration
web page, Novembro). Um estudo mostra por outro lado que só 22%
das casas estão ligadas às redes eléctricas (IFAD-International
Fund for Agricultural Development).
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O contrato com a Northern Territory’s Power
and Water (Austrália) para o fornecimento de electricidade a Dili
foi renovado pela UNTAET em Junho (UNTAET, 9-6). O Governo decidiu que,
a partir de Agosto, os principais consumidores passariam a pagar a electricidade
que até a data era gratuita. A necessidade de instalar os contadores
para os consumidores familiares e de avaliar a sua capacidade para pagar,
fizeram adiar a extensão do pagamento a todos (IFAD).
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O responsável da UNTAET pelo sector
disse que somente 30 das 60 estações eléctricas em
funcionamento em Setembro 1999 estavam operacionais em Agosto 2000 (UNTAET,
14-8). A demora na reabilitação de 15 delas, situadas junto
à fronteira, explicar-se-ia pela falta de segurança (TFET,
6-10).
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O aumento do preço do petróleo
foi a principal razão para uma revisão em alta do orçamento
do território. S. Vieira de Mello pediu aos funcionários
da UNTAET para poupar energia e a Conferência de Tibar recomenda
o estabelecimento de métodos e regras para um uso eficaz da energia,
incluindo na construção dos edifícios. A conferência
aconselha também a cobrança junto aos utilizadores, a formação
de pessoal técnico, a diversificação das fontes de
energia (hidro-eléctricas e energias alternativas) para proteger
o ambiente e reduzir os custos a longo prazo.
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Água
e instalações sanitárias
-
"Praticamente todo o serviço de
água e instalações sanitárias foi destruído
em Agosto-Setembro de 1999. Praticamente todo o pessoal de chefia e administrativo
deixou Timor Leste e não voltará" (ETTA web site).
-
No sector das águas, os 4,5 milhões
de USD disponíveis em 2000-2001 são uma pequena parte dos
40 milhões necessários, dos quais 12 a 15 milhões
são esperados através do TFET (ADB, NR 077/00, 2-8).
-
A administração transitória
confiou este sector às agências e ONG internacionais, particularmente
à Oxfam. Na hora de devolver o sector à Administração
Transitória, a Oxfam manifestou a sua preocupação,
pois isso implicaria, depois de Setembro, à redução
do pessoal em cada distrito de 40 para 5 (UNTAET, 5-7). A UNTAET confirmou
esta diminuição, mas prometeu enviar 100 voluntários
das NU para assegurar uma transição suave, ao mesmo tempo
que reconhecia que, no distrito de Dili, "um terço das ligações
pendentes foram feitas. Novos pedidos não serão atendidos
para já" (UNTAET, 24-8).
-
As ONG insistem sobre a necessidade de prever
um orçamento suplementar para a formação de grupos
locais e sua manutenção (UNTAET, 24-8). Criar um ambiente
físico saudável e promover práticas higiénicas
junto da população são dois aspectos do trabalho desenvolvido
pela UNICEF e outras organizações, locais ou internacionais
(InterAction, 1-10).
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Com os seus 4,5 milhões de USD para
2 anos, o TFET propõe-se reabilitar as infra-estruturas destruídas
ou inadequadas e re-estabelecer os meios humanos e estruturas institucionais
capazes de assegurar a operacionalidade e manutenção do serviço
(TFET, 6-10).
-
Em Outubro, a UNTAET constata que faltam Voluntários
das Nações Unidas em três distritos, Aileu, Bobonaro
e Viqueque (12-10) e em Novembro reconhece que as equipas formadas se limitam
à manutenção nas capitais de distrito, sendo necessário
um orçamento adicional para estender a sua área de operacionalidade
fora das áreas urbanas. Mesmo em Dili onde a quantidade de água
cobria "mais de duas vezes as necessidades da população ligada
à rede" em Junho (ETTE web site), "o fornecimento de água
está a tornar-se uma fonte de preocupação, sem solução
à vista" (UNTAET, 30-11).
-
Comunicações
A conferência de Tibar atribuiu a prioridade
máxima à produção de legislação
e regulamentos para o sector, formação de pessoal e preparação
de concursos internacionais para que todos os distritos tenham acesso às
comunicações.
-
telefones
-
A rede de telefones fixos, completamente destruída
em Setembro de 1999 está a ser recuperada pouco a pouco, só
é operacional em Dili. O serviço de telefones móveis
acessível através da rede australiana Telstra, é operacional
em Dili e parcialmente em Baucau e Suai. Nos outros distritos é
necessário recorrer aos telefones por satélites (AAP, 9-8).
-
O departamento de Informação
Tecnológica, Correios e Telecomunicações (ITPT) do
governo transitório, lançou um concurso internacional para
um sistema de telecomunicações em Timor Leste (ETTA, web
site, 16-8).
-
O director da Telecom portuguesa mostrou-se
interessado em investir neste sector em Timor e na Indonésia (Indonesian
Observer, 7-7).
-
rádio
A UNTAET recuperou parcialmente a antiga
rede rádio destruída pelas milícias pro-indonésias
na sua retirada, tarefa difícil devido à topografia montanhosa
de Timor Leste. Desde Novembro de 1999, a UNTAET começou a emitir
em inglês e tetun, atingindo cerca de 50% do território. A
promessa pública feita em Abril pelo Ministro dos Negócios
Estrangeiros do Japão, Yohei Kono, de doar 8.000 receptores solares
deveria ter minorado a falta de receptores na população,
mas sofreu significativos atrasos; no início de Setembro, apenas
500 tinham sido entregues. Em entrevista à Kyodo News, S. Vieira
de Mello lamentou o atraso, considerando que a comunicação
entre a Administração internacional e os Timorenses tinha
sido "a maior falha" da UNTAET (Kyodo News Service, 1-9). Falha
que terá resultado unicamente da falta de receptores!
-
internet
Segundo a página internet da ETTA,
a falta de comunicações é o maior obstáculo
à reconstrução. Um projecto de ligação
de todos os distritos ao governo central em Dili, via Internet, é
avaliado em 1,45 milhão de USD e deveria estar funcional dentro
de um ano.
-
edifícios
públicos
-
O Edifício do Banco Central é
"o primeiro grande projecto de reconstrução de edifícios
públicos levado a cabo pela UNTAET", disse a porta-voz da administração
transitória. A obra foi adjudicada a uma empresa australiana, 38
dos 50 trabalhadores empregues na obra foram timorenses, a obra começou
em Junho, devia durar dois meses e custar 416.000 USD. "Outros edifícios
de Dili para serem reconstruídos com dinheiros do trust fund durante
o período de transição incluem o escritório
dos assuntos judiciais, o Tribunal de Apelação, e o Serviço
central de emprego. Em Baucau, a segunda maior cidade de Timor Leste, obras
de recuperação devem ser feitas na prisão distrital,
no escritório do procurador público e no mercado (...). Funcionários
da UNTAET dizem que a reconstrução dos edifícios por
empresas locais não é possível num futuro próximo,
porque a capacidade de concorrer estava nas mãos de empresas indonésias
e todas abandonaram Timor Leste com o seu material. (...) Xanana Gusmão
criticou desde cedo as prioridades da aliança internacional na reconstrução
dos edifícios públicos pedindo um maior equilíbrio
entre edifícios públicos de Dili e dos outros distritos"
(Kyodo News Service, 16-6).
-
Para a reconstrução de 4 edifícios
públicos em Dili e três em Baucau foram seleccionadas 18 empresas,
das quais 13 de timorenses de Dili e 11 de timorenses de Baucau. "As
empresas têm agora duas semanas para apresenter as suas propostas.
Os trabalhos devem começar antes de 24 de Julho" (UNTAET, 3-7).
As obras da cadeia de Baucau foram adjudicadas a uma empresa timorense
(UNTAET, 28-11).
-
Seis edifícios públicos em Dili
devem ser concluídos no espaço de 3 a 7 meses e dar abrigo
a 12 serviços da ETTA (UNTAET, 9-8)
-
Os mercados reconstruídos, em Dili,
Becora e Comoro, têm cada um 180 lugares para vendedores, mais de
2.600 deverão ficar num espaço aberto perto dos edifícios
dos mercados (UNTAET, 31-10).
Fundos:
-
O Banco Asiático de Desenvolvimento
(ADB) aprova um projecto de urgência para as estradas, portos e redes
eléctricas no valor de 29,8 milhões de USD. Os benefícios
imediatos far-se-ão sentir na distribuição de alimentos
na zonas atingidas pela fome, distribuição de bens para a
agricultura, recolocação dos refugiados e movimentos da força
de paz das NU. O projecto é financiado pelo TFET (ADB web page,
10-7).
-
O Governo do Japão assinou com a UNTAET
e a UNDP um acordo para o financiamento de 6 projectos urgentes no valor
de 27,5 milhões de USD (distribuição de água
em Dili, estrada Dili-Ainaro, porto de Dili, centrais eléctricas
de Comoro-Dili e pequenas centrais rurais, irrigação). "É
a maior contribuição para as infra-estuturas" (UNTAET
e Governo do Japão, 14-7). O Governo do Japão prometeu 100
milhões em Dezembro de 1999.
Conclusões:
1. A lentidão do processo
de reconstrução era inevitável por várias razões:
-
a destruição era tão
ampla que mesmo as estruturas indispensáveis para receber e transportar
os materiais de construção tinham de ser reabilitadas antes
de começar a reconstrução dos serviços e dos
edifícios.
-
a chegada dum grande número de estrangeiros
com necessidades de conforto e capacidades financeiras superiores levou
à satisfação prioritária deste sector, ocupando
edifícios e casas menos destruídas ou dando-lhe primazia
na reconstrução e fornecimento de bens. Mais de um ano depois
da chegada das NU, a imensa maioria dos timorenses, sobretudo em Dili,
vive em ruínas.
2. Os timorenses foram habituados a
viver com pouco e a esperar com paciência, o que torna a situação
actual menos aceitável são: as promessas de ajuda maciça
que tardam a se verificarem no terreno; o contraste entre o nível
de vida dos timorenses e o dos estrangeiros, muito mais chocante do que
sob a administração indonésia; o sentimento dos timorenses
de que com o dinheiro gasto teriam feito muito mais e melhor que a UNTAET;
e finalmente que as burocracias da UNTAET são mais um obstáculo
que uma ajuda à reconstrução.
3. Justificados ou não,
estes sentimentos só desaparecerão quando a presença
estrangeira for substancialmente reduzida e os timorenses tiverem a percepção
de que recuperaram a condução dos seus assuntos. No entanto,
a retirada das NU poderá não corresponder a esta passagem
caso as principais empresas se mantenham nas mãos de estrangeiras.
4. Como o reconhecem funcionários
da UNTAET, "a capacidade de concorrer estava nas mãos de empresas
indonésias que abandonaram Timor Leste com o seu material". A
abertura dos concursos aos empresários timorenses, em simultâneo
com empresas estrangeiras, não é suficiente. Sem uma discriminação
positiva, os timorenses não poderão ganhar os concursos.
É necessário considerar como um dos principais factores de
selecção, a criação de recursos humanos e materiais
para a manutenção futura das obras agora em construção.
Mais do que os outros, são os timorenses que poderão estar
interessados neste futuro.
5. Metade das povoações
ainda não tem estradas. Nunca será demais lembrar que 80%
dos timorenses trabalham na agricultura e que será deste sector
que dependerá, no curto/ médio-prazo, o desenvolvimento da
economia de Timor Leste.
6. As infra-estruturas
instaladas com a ajuda internacional deveriam ter como principal objectivo
a criação de recursos locais quer seja pela ajuda à
produção, quer seja pela formação, de forma
a garantir a continuação do desenvolvimento quando a ajuda
internacional cessar.
Nota:
Documentos e informações recolhidos sobre este assunto foram
reunidos pelo Observatório Timor Leste num caderno temático
"Infrastructures - ref. INFR02" de 43 páginas (para mais informações
e encomendas contactar o Observatório Timor Leste).
Observatório para o acompanhamento do processo
de transição em Timor Leste um programa da 'Comissão
para os Direitos do Povo Maubere'
Coordenadora: Cláudia Santos
Rua Pinheiro Chagas, 77 2ºE - 1069-069
Lisboa - Portugal
tel.: 21 317 28 60 - fax:
21 317 28 70 - correio electrónico:
cdpm@esoterica.pt
URL: http://homepage.esoterica.pt/~cdpm
Observatório
Timor Leste
Duas Organizações Não
Governamentais portuguesas, a COMISSÃO PARA OS DIREITOS DO POVO
MAUBERE (CDPM) e o grupo ecuménico A PAZ É POSSÍVEL
EM TIMOR LESTE que, desde o início da década de oitenta,
se solidarizam com a causa do Povo de Timor Leste, tomaram a decisão
de criar o OBSERVATÓRIO TIMOR LESTE. A vocação do
Observatório Timor Leste é, no quadro das recentes alterações
do regime de Jacarta face a Timor Leste, o acompanhamento, a nível
internacional, do processo negocial e, no interior do território,
do inevitável período de transição que se anuncia.
E-mail: cdpm@esoterica.pt
Homepage: http://homepage.esoterica.pt/~cdpm/framep.htm
English:
East
Timor Observatory
ETO was set up by two Portuguese NGOs
- the Commission for the Rights of the Maubere People (CDPM) and
the ecumenical group Peace is Possible in East Timor, which
have been involved in East Timor solidarity work since the early eighties.
The aim of the Observatory was to monitor East Timor's transition process,
as well as the negotiating process and its repercussions at international
level, and the developments in the situation inside the territory itself.
E-mail: cdpm@esoterica.pt
Homepage: http://homepage.esoterica.pt/~cdpm/frameI.htm
French:
Observatoire
Timor-Oriental
Deux Organisations Non Gouvernementales
portugaises, la ‘Commission pour les Droits du Peuple Maubere’ et l’association
oecuménique "La Paix est Possible au Timor Oriental", qui se solidarisent
avec la cause du peuple du Timor Oriental depuis le début des années
80, ont pris la décision de créer un OBSERVATOIRE TIMOR ORIENTAL.
La vocation de cet observatoire est d’accompagner le processus de transition
du Timor Oriental, aussi bien le processus de négociation que ses
répercussions au niveau international et l’évolution de la
situation à l’intérieur du territoire.
E-mail: cdpm@esoterica.pt
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