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"A História recente da atitude do Governo australiano
revela que o petróleo do Mar de Timor foi colocado acima de qualquer
outra consideração nas relações com os países
vizinhos. A Austrália poderia beneficiar mais dum desenvolvimento
harmonioso da região, tentando chamar a si os investimentos pelos
quais está melhor preparada que os seus vizinhos." Observatório
Timor Leste
Ref.:OIL01-12/01/2001por
Assunto: O petróleo do Mar de Timor e as relações
Timor Leste-Austrália
Resumo:
1. O que é o ‘Timor Gap’ ?
2. Austrália e Indonésia partilham o
Timor Gap
3. Continuação do tratado com outros
titulares ou novo acordo?
4. As fronteiras
5. Royalties
6. As companhias petrolíferas
7. O Governo de Canberra pressionado em casa
8. O petróleo na economia de Timor Leste
Conclusões:
Nota:
Resumo: A principal fonte
de rendimentos de Timor Leste para os próximos 20 anos encontra-se
no ‘Mar de Timor’. Principal fonte de rendimentos para o país não
é necessariamente sinónimo de principal factor económico
para a sustentação da sua população, que trabalha
e depende em 80% da agricultura. Porém, os rendimentos do petróleo
e do gás poderão, a partir de 2005, ser duas vezes superiores
ao actual orçamento, uma ajuda determinante para a viabilidade económica
do novo Estado, que emerge das cinzas de Setembro de 1999.
O Governo australiano, que tentou partilhar os recursos do ‘Timor Gap’
com a Indonésia, quer partilhá-los agora com Timor Leste.
Contudo, as leis internacionais sobre fronteiras marítimas e as
condições políticas mudaram. Muitos peritos, incluindo
alguns australianos, pensam que Timor Leste poderá recuperar a parte
que lhe pertence ao abrigo dessas leis. O Governo australiano diz querer
uma negociação que beneficie as duas partes, mas para tal
também deverão ser contabilizados outros benefícios,
e não apenas as royalties, da exploração do "Timor
Gap", como os lucros que a Austrália irá obter do tratamento
do gás em Darwin; a vantagem desta ter um vizinho auto sustentável
e como qual goza de relações honradas. Do lado timorense,
o rendimento fácil do petróleo pode conter riscos a longo
prazo caso não seja bem gerido.
1. O que é o ‘Timor Gap’ ?
-
Em 1972 a Austrália tentou delimitar as suas fronteiras no chamado
Mar de Timor, com a Indonésia e com Timor Leste, na altura uma colónia
portuguesa. Usando o argumento da plataforma continental, a Austrália
conseguiu estabelecer uma linha divisória mais próxima da
Indonésia do que da sua fronteira, obtendo 85% da área que
separa os dois países. Portugal não aceitou esse argumento
e reclamou uma linha mediana entre as costas da Austrália e de Timor
Leste. A zona onde a fronteira não foi estabelecida passou a ser
chamada “Timor Gap”, em que os próprios limites do ‘gap’ resultam
dum acordo entre a Austrália e a Indonésia, por Timor não
ter sido ouvido.
-
Quando a Indonésia deu sinais de querer invadir Timor Leste, em
1975, o embaixador australiano em Jacarta, Richard Woolcott, enviou um
telegrama confidencial ao seu Governo: “fechar o actual ‘gap’ na fronteira
marítima acordada pode ser mais fácil com a Indonésia
... do que com Portugal ou um Timor Leste independente” e o ministério
das Minas e Energia pode estar interessado nisso, acrescentava Woolcott.
2. Austrália e Indonésia partilham o Timor
Gap
-
Em 1979, acalmados os protestos provocados pela violente intervenção
da Indonésia em Timor Leste, a Austrália começa as
negociações com a Indonésia. Entretanto, a lógica
das 200 milhas de zona marítima exclusiva ganharam força
a nível internacional, e quando o mar que separa dois países
perfaz as 400 milhas é a linha mediana a geralmente adoptada. A
Austrália não aceita essa solução, o ‘gap’
continua.
-
Em 1981, Austrália e Indonésia adoptam a linha mediana como
linha de separação para as pescas (PFSEL-Provisional Fisheries
Surveillance and Enforcement Line).
-
Em 1982, a linha mediana é consagrada na ‘Convenção
das N. U. sobre o Direito do Mar’ (Montego bay), mas a Convenção
só entrou em vigor depois de ratificada por 60 países, o
que só aconteceu em 1994.
-
Em 1989, após 11 anos de negociações, Austrália
e Indonésia assinam o Tratado do Timor Gap. A Austrália valorizou
o argumento da soberania Indonésia sobre Timor Leste, algo que nenhum
outro país ocidental tinha reconhecido, ‘de jure’, até à
data. O “Gap” é dividido em 3 zonas.
-
Nas zonas B e C, as royalties, resultantes da exploração
do petróleo e do gás, revertem a 90% para a Austrália
e a Indonésia respectivamente, e 10% para o outro país. A
zona A, entre as duas anteriores (500 km de Darwin, 250 de Timor), chamada
Zona de Cooperação (ZOCA), fica sob controlo dos dois países
e as royalties são divididas em parte iguais quando, pela aplicação
da linha mediana, pertenceriam por inteiro à Indonésia. É
o preço do reconhecimento da soberania política.
-
Portugal intenta uma acção contra a Austrália perante
o Tribunal Internacional de Justiça de Haia, sobre a ilegalidade
do Tratado do Timor Gap (1991-1995). Aquele acabará por se declarar
não competente para julgar o caso face à ausência da
Indonésia, não acusada por Portugal por não reconhecer
a autoridade do Tribunal. A Austrália não foi condenada,
mas foi levada a aceitar formalmente que o Tratado assinado com a Indonésia
não obrigaria um Timor Leste independente.
-
Em 1997, adaptando as suas fronteiras marítimas às novas
normas internacionais, a Austrália e a Indonésia decidem
que a linha mediana, já aceite para os direitos de pesca, passa
a ser a fronteira marítima, mas não se aplicando aos recursos
do fundo do mar, regulados pelos acordos anteriores, como o Tratado do
Timor Gap.
-
Em 1998, na perspectiva das negociações entre Portugal e
a Indonésia sob os auspícios das Nações Unidas,
o CNRT (Conselho Nacional da Resistência Timorense) manifesta a sua
vontade duma revisão do Tratado do Timor Gap. No entanto, tem a
precaução de sossegar quer as companhias petrolíferas,
afirmando o respeito pelos contratos celebrados, quer a própria
Austrália, ao referir que quer continuar uma exploração
conjunta.
3. Continuação do tratado com outros titulares
ou novo acordo?
A renegociação do Timor Gap joga-se à volta do
conceito jurídico de Estado sucessor. Se Timor Leste sucede à
Indonésia, herda os direitos da Indonésia e os termos do
tratado mantêm-se válidos. Melhorias? Só as que a Austrália
quiser. Se o tratado é reconhecido como inválido, tudo pode
ser renegociado, mesmo as fronteiras, e daí os direitos em termos
de rendimentos.
-
De visita a Lisboa, o ministro dos Negócios Estrangeiros australiano,
Alexander Downer, declara que o tratado do Timor Gap continua válido.
Se Timor se tornar independente. os direitos serão transferidos
da Indonésia para Timor Leste. Para dar mais força às
suas afirmações, Downer diz ter discutido o assunto com Xanana
Gusmão (na altura preso em Jacarta). Os timorenses não têm
a intenção de introduzir alterações significativas
no tratado, afirma o ministro australiano (Lusa, 1-3-99).
-
O gabinete do Procurador Geral australiano adverte no Senado, que Timor
Leste poderá pedir alterações ao tratado. A Austrália
deve rapidamente fixar as suas intenções para proteger os
interesses mineiros. A ‘autonomia’ (de Timor Leste na Indonésia)
pode afectar o tratado, tanto quanto a ‘independência’, diz o gabinete
(The Age, 24-5-99).
-
Na sequência do voto dos timorenses a favor da independência
em 30 de Agosto de 1999, a Austrália toma o comando da força
militar internacional de intervenção das NU.
-
O Governo indonésio renuncia aos seus direitos sobre o Timor Gap
(25-10-99), mas as autoridades de Timor Ocidental não o fazem com
tanta facilidade e reclamam direitos, sem todavia apresentar argumentos
válidos para a sua reivindicação (Jakarta Post, 10-12-99;
Asia Pulse, 24-12-99; Antara, 28-2-00).
-
Os resultados do referendo dão nova legitimidade ao CNRT. Mari Alkatiri,
responsável pelo dossier do petróleo, declara: “para nós
o tratado é ilegal, por isso não podemos ser simplesmente
o Estado sucessor”. É a decisão final sobre a fronteira marítima
que resolverá a disputa sobre o tratado, diz Alkatiri (The Weekend
Australian, 21-11-99). Xanana Gusmão transmite a mesma mensagem
numa conferência de imprensa em Darwin (Lusa, 7-12-99).
-
O Governo australiano, após ter manifestado a sua recusa a discutir
as fronteiras (6-99), tenta amedrontar os timorenses com o espectro do
desinvestimento: “começar a desfiar todo o tratado do Timor Gap,
o que não penso um só minuto que está a acontecer,
pode desfiar todo o investimento do Timor Gap e isto não estaria
no interesse de ninguém, particularmente dos timorenses”, declara
Alexander Downer (AAP, 30-11-99).
-
Em Janeiro 2000, realiza-se em Dili um seminário que reúne
todos os implicados no Timor Gap: o Governo federal australiano, o Governo
regional dos Territórios do Norte, as companhias petrolíferas,
as Nações Unidas e o CNRT. Chega-se a um acordo: o tratado
mantém-se até a independência, para garantir a confiança
das companhias petrolíferas e assegurar os investimentos, ficando
anunciado o fim das pretensões australianas: “Timor Leste não
substitui simplesmente a Indonésia no tratado, do ponto de vista
legal não se trata dum caso de sucessão. Não queremos
legitimar retroactivamente o que era ilegal”. Os termos do tratado poderão
ser alterados quando Timor for independente (UNTAET, Public Information
Of., 19-1-00).
-
O Governo australiano sabe que tem de negociar: “é necessário
preencher o vazio legal e dar certezas comerciais à indústria
do petróleo que opera no gap” (AAP, 18-9-00), mas, em vez de encarar
os factos, apresenta-se nas primeiras negociações com “um
sentimento de boa vontade, um sentimento de generosidade”, diz Daryl Manzie,
ministro dos Northern Territory. “Não sabemos se as negociações
vão dar 60/40% (em favor de Timor) ou 50/50, mas não recusamos
discutir isso ... estaríamos relutantes em dar-lhes todo o negócio”,
declara na reunião da APPEC (Asia Pacific Petroleum Conference,
26-9-00). Se todavia os timorenses não se deixarem convencer pela
‘generosidade’, o Governo agita o espectro do desinvestimento: as reservas
de gás do Timor Gap não são vitais para a Austrália:
“3.400.000 milhões de pés cúbicos estão na
ZOCA, mas 40.000.000 milhões estão fora dela” diz Daryl Manzie,
para melhor convencer os timorenses dos riscos em esticar a corda (Dow
Jones Newswires, 26-9-00).
-
No início de Outubro é Peter Galbraith, director dos Assuntos
Políticos da UNTAET, que responde ameaçando ir para o Tribunal
Internacional se as negociações falharem (Reuters, 9-11-00)
4. As fronteiras
Em Junho 2000, o CNRT declara que uma nova fronteira a igual distância
entre Timor Leste e a Austrália é um ponto de partida para
as negociações (The Australian, 15-6-00). A Austrália
aceita discutir a repartição das royalties, mas não
as fronteiras. A razão é clara: muitos peritos prevêem
que a revisão das fronteiras pode, muito simplesmente, colocar todo
o Timor Gap, e talvez mais, sob controlo exclusivo de Timor Leste.
-
A linha mediana é um ponto de partida viável para as negociações,
diz Ivan Shearer, professor de leis internacionais na Univ. de Sidney.
O professor Anthony Bergin, do Australian Defence Studies Center, diz que
a lei internacional mudou muito desde os acordos do Timor Gap e a Austrália
poderia ser seriamente contestada no Tribunal Internacional (The Australian,
15-6-00). A prática internacional recente “coloca todo o acento
a favor duma linha única para a fronteira marítima e a linha
de separação para as pescas”, diz Geoffrey McKee, consultor
da indústria petrolífera, “a fronteira de pescas adoptada
em 1981 poderá ser um bom argumento para a fronteira que decide
os direitos sobre o petróleo e o gás” (Weekend Australian
29-11-99).
-
Alguns vão mais longe: a revisão das fronteiras no interior
do Timor Gap pode levar à revisão das fronteiras do próprio
Timor Gap em relação às zonas vizinhas. Um mapa desenhado
pela Marinha australiana para a intervenção militar de 1999,
caso fosse adoptado, daria a Timor Leste a soberania sobre as reservas
de Laminaria/Corallina, a oeste da zona de cooperação (150.000
barris/dia). A leste do Timor Gap, segundo o professor Prescott, o “tripoint
A 16” deveria ser deslocado um pouco mais para leste. O resultado seria
a passagem para Timor Leste de uma grande parte das reservas de Sunrise/Troubadour,
exploradas pela Shell/Woodside. Estas modificações poderiam
multiplicar por 5 as actuais reservas de Timor Leste (EnergyAsia, www,
24-7-00; The Economist, 2-12-00).
-
“As boas cercas fazem os bons vizinhos”, diz o professor Ivan Shearer (EnergyAsia,
www, 24-7-00).
5. Royalties
-
Se a fronteira marítima fosse alterada, Timor Leste teria direito
à totalidade das royalties na ZOCA. José Ramos Horta declarou
que o novo país tem direito a mais de 90% das royalties do Timor
Gap, e manifestou a esperança de que fossem os dirigentes australianos,
em particular o primeiro ministro John Howard, a tomar a iniciativa de
rever os modos da partilha actual (partes iguais, 50/50) (ABC/BB, 7-5-00).
-
Em 1998, a Austrália e a Indonésia receberam 1,1 milhão
USD de royalties. Este ano deverá subir para 2,2 milhões
diz Kuntoro, ministro das Minas da Indonésia (SMH, 2-99). Em Outubro
2000, Timor Leste recebe as primeiras royalties, 3 milhões, mais
do que o montante previsto, provenientes exclusivamente do campo Elang
Kakatua explorado pela BHP, a produzir cerca de 15.000 barris/dia (Dow
Jones Newswires, 7-11-00).
-
O grande aumento deverá acontecer a partir de 2004-2005, quando
for explorado gás no campo de Bayu-Undang na ZOCA. As variações
nos preços dos produtos petrolíferos são enormes e
tornam as previsões difíceis. Jonathan Prentice da UNTAET
participou nas negociações: “o barril custava 10 USD há
um ano, aparentemente custa agora 28, estes factores podem fazer variar
os lucros ou perdas, mas sim, os números são muito consideráveis,
muitos, muitos milhões” (Dow Jones, 20-1-00). 50 milhões
calculados sobre um preço de 18USD/barril, mas a média foi
de 25,5 USD em 1999 (All Columns, 23-6-00) ou o dobro se as fronteiras
forem revistas.
-
"Este ano o orçamento de Timor Leste é de 45 milhões,
podem imaginar que enorme diferença isso faz para Timor Leste",
diz Galbraith (IPS, 29-11-00).
6. As companhias petrolíferas
-
Poucos meses após os acordos de Nova Iorque (Agosto de 1998), a
Indonésia ainda não tinha aceite a “consulta popular”, já
o representante da empresa petrolífera Broken Hill Proprietary Co
(BHP) na Indonésia, Peter Cockcroft, visitava Xanana Gusmão
na prisão de Cipinang. Foi o primeiro sinal de que as empresas petrolíferas
começavam a admitir possíveis alterações no
Timor Gap. Os protestos da Indonésia obrigaram a Austrália
e a BHP a reafirmar a manutenção do Tratado. Peter Cockcroft
foi enviado para a Índia
-
Já antes desta visita, o CNRT tinha elaborado um documento no qual
afirmava a vontade de rever o Tratado do Timor Gap, mas respeitar os investimentos
das petrolíferas. Afirmação muitas vezes repetida
desde então: “queremos assegurar a todos os empresários envolvidos
que podem continuar a exploração", diz Xanana Gusmão
(Lusa, 7-12-99); “Não queremos fazer nada que perturbe os projectos
de petróleo e gás na zona do Timor Gap, porque é do
nosso interesse que sigam para a frente”, diz Alkatiri, “queremos criar
uma estrutura provisória que dê aos investidores segurança
de que a renegociação do tratado não irá prejudicar
a sua posição” (International Herald Tribune, 14-12-99).
A revisão do tratado não afectará as companhias, “não
tem importância para estas se pagam à Austrália ou
a Timor Leste” (The Weekend Australian, 21-11-99).
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As petrolíferas correm por conta própria, e isso retira credibilidade
às ameaças australianas de desinvestimento: “queremos estar
seguros de que os nossos direitos legais, e os acordos fiscais e administrativos
ficam sem mudanças enquanto dura o projecto”, diz Jim Godlove, presidente
da Phillips em Darwin, e acrescenta, “as negociações sobre
a fronteira entre Timor Leste e a Austrália são deles” (International
Herald Tribune, 14-12-99).
-
No dia 25 de Outubro de 1999, a Indonésia reconhece que já
não tem nada a ver com o Timor Gap e no dia seguinte (ver Dow Jones
Newswires, 6-12-99), a Phillips Petroleum Co anuncia que quer investir
1400 milhões USD no campo de Bayu-Undan na ZOCA. Este investimento
sobe a 2700 milhões, em Novembro, e a 5900 ao considerar os campos
vizinhos - alguns dos quais podem ser parcialmente atribuídos a
Timor Leste numa revisão das fronteiras; sem contar 1500 milhões
para a unidade de transformação do gás a estabelecer
em Darwin (Australian Financial Review, 30-11-00). Um projecto à
escala mundial, diz o ministro da Indústria.
7. O Governo de Canberra pressionado em casa
-
Peritos legais em diversos ramos exprimiram publicamente as suas dúvidas
sobre os direitos do seu país, ou convicções de que
as reivindicações de Timor Leste tinham cabimento legal.
Não é de estranhar que Bill Campbell, director do International
Law Office do Australia's Attorney-General's Department, afirme ser a favor
dum acordo negociado e contra uma possível solução
judicial na qual “os Estados perdem o controlo” (EnergyAsia, www, 24-7-00).
-
A posição oficial do Governo de Canberra é também
contestada na opinião pública: “segundo os cálculos
do orçamento do Governo australiano, este prepara-se para atribuir
ajudas a Timor Leste no valor de 150 milhões de dólares australianos
em 4 anos. Isto é menos de 6% dos rendimentos [2600 milhões]
que espera do campo petrolífero de Bayu-Undan, cujos direitos pertencem
por inteiro a Timor Leste. O Governo Howard tenta enganar os povos australiano
e timorense” (Green Left Weekly, 17-5-00).
-
O Partido Trabalhista e os Democratas Australianos apelam ao Governo para
que mude as suas fronteiras com Timor Leste para ajudar o novo país
a conquistar a sua independência financeira. Vicki Bourne, porta-voz
dos Democratas para os assuntos externos, pronuncia-se a favor da proposta
[feita pelos dirigentes timorenses] que daria 90% de todos os rendimentos
do ‘gap’ a Timor Leste (AAP, 9-10-00).
-
Downer adverte os timorenses que modificações no Timor Gap
que afectam as royalties, ou na partilha das royalties, “terão efeito
sobre todo o programa de ajuda australiana a Timor Leste” (Reuters, 9-10-00).
-
“Actuando de maneira honrosa e tomando em conta a lei internacional actual,
o Governo australiano pode não só ganhar a benevolência
de Timor Leste, mas também de outras partes e fornecer a Timor Leste
uma base económica com a qual poderá reduzir a sua dependência
da ajuda externa”, diz um relatório bi-partidário da Comissão
dos Assuntos Exteriores, Defesa e Comércio do Senado australiano
(8-12-00).
8. O petróleo na economia de Timor Leste
-
Sarah Cliffe, chefe da Missão do Banco Mundial, advertiu contra
alguns perigos: “o excesso de dependência de um ou dois produtos
de exportação - como o café e o petróleo -
pode tornar o país demasiado vulnerável à queda dos
preços”. Falou também da utilização dos rendimentos
do petróleo e do gás, das opções a fazer com
este “bónus”, que traz consigo muitos riscos. As economias que têm
altos rendimentos do petróleo, e gastam esses rendimentos imediatamente,
têm muitas vezes fomentado salários altos que outras indústrias
não conseguem equiparar, e provocando a sua falência. Depois,
quando o petróleo se esgota, a economia não tem alternativas
sustentáveis (intervenção no Congresso do CNRT, Agosto
2000).
Conclusões:
-
A revisão das fronteiras do Timor Gap deve incluir a Indonésia.
As reivindicações das autoridades de Timor Ocidental devem
ser esclarecidas para evitar pretextos para uma instabilidade futura.
-
A História recente da atitude do Governo australiano revela que
o petróleo do Mar de Timor foi colocado acima de qualquer outra
consideração nas relações com os países
vizinhos. A Austrália poderia beneficiar mais dum desenvolvimento
harmonioso da região, tentando chamar a si os investimentos pelos
quais está melhor preparada que os seus vizinhos.
-
Os dirigentes timorenses têm quatro anos para preparar um uso das
royalties que sirva o país e à sua população.
Nota: Documentos e informações
recolhidos sobre este assunto foram reunidos pelo Observatório Timor
Leste num caderno temático “Oil - ref. OIL01” de 42 páginas
(para mais informações e encomendas contactar o Observatório
Timor Leste).
Observatório para o acompanhamento do processo
de transição em Timor Leste um programa da 'Comissão
para os Direitos do Povo Maubere'
Coordenadora: Cláudia Santos
Rua Pinheiro Chagas, 77 2ºE - 1069-069
Lisboa - Portugal
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Observatório
Timor Leste
Duas Organizações Não Governamentais portuguesas,
a COMISSÃO PARA OS DIREITOS DO POVO MAUBERE (CDPM) e o grupo ecuménico
A PAZ É POSSÍVEL EM TIMOR LESTE que, desde o início
da década de oitenta, se solidarizam com a causa do Povo de Timor
Leste, tomaram a decisão de criar o OBSERVATÓRIO TIMOR LESTE.
A vocação do Observatório Timor Leste é, no
quadro das recentes alterações do regime de Jacarta face
a Timor Leste, o acompanhamento, a nível internacional, do processo
negocial e, no interior do território, do inevitável período
de transição que se anuncia.
E-mail: cdpm@esoterica.pt
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