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"A taxa de desemprego continua
a ser preocupante, sobretudo nas cidades, por ainda se manter nos 80%.
A situação é particularmente sensível em Díli,
onde coexistem duas sociedades com modos e níveis de vida muito
distintos. ... As qualificações dos candidatos aos empregos,
em particular para a função pública, devem ser ajuizadas
em função das realidades locais e não no âmbito
de um quadro importado, estranho a essas realidades. É neste
sentido que, desde a chegada da UNTAET, o conhecimento da língua
inglesa se apresenta como uma qualificação prioritária
para a administração das N.U., mas não para Timor
Leste." Observatório Timor
Leste
Ref.: EMP02-30/11/2000por
Assunto: Emprego e desemprego após
um ano de intervenção internacional
Resumo
Contexto
Os
Factos
1. emprego
2. administração
e serviços públicos
3. salários e condições
de trabalho
4. programas e outros
fundos
5. sector privado
Conclusões
Nota
Resumo:
A taxa de desemprego continua a ser
preocupante, sobretudo nas cidades, por ainda se manter nos 80%. A situação
é particularmente sensível em Díli, onde coexistem
duas sociedades com modos e níveis de vida muito distintos. Um ano
depois da entrada da UNTAET, a maioria dos empregos depende da administração
pública, mas, mesmos estes, foram fortemente reduzidos em comparação
com o período de administração indonésia. Esta
redução encontra justificação na necessidade
de criar um aparelho de Estado sustentável.
Os programas de trabalho temporário
e/ou intensivo estão a terminar ou a ser reduzidos. Deste modo,
o desenvolvimento do sector privado apresenta-se como uma medida premente
para a criação de emprego, mesmo quando apenas gerou, até
ao momento, cerca de 1000 empregos. Paralelamente, o investimento estrangeiro
surge como indispensável, mas não deverá ser feito
a qualquer preço: "isto não é o faroeste",
advertiu o administrador transitório das Nações Unidas,
para tal é urgente a elaboração de leis estáveis
sobre o direito de propriedade cujos registos desapareceram.
top
Contexto:
No estado de destruição
em que se encontrava Timor Leste há um ano não havia outra
solução senão uma rápida e forte intervenção
internacional. Programas de criação de emprego foram desenvolvidos
para responder de forma imediata às necessidades dos timorenses.
Contudo, a lentidão da máquina administrativa, da chegada
dos fundos prometidos e da criação dos mecanismos locais
de participação atrasou todo o processo de reconstrução
física e social. Aparentemente, a situação actual
não é muito diferente da vivida há uns meses atrás.
(ver EMP01) top
Os factos:
1. emprego
De acordo com a página de Internet
da Administração Transitória de Timor Leste (ETTA),
cerca de 24 mil timorenses trabalham por conta de outrém (apesar
de desactualizados estes números dão uma ordem de grandeza).
Deste total, aproximadamente 94 % trabalhavam para as agências especializadas
das Nações Unidas, sendo que 68 % estavam inseridos em programas
de emprego temporário e/ou rotativo (TEP’s, QIP’s e UNICEF); o serviço
civil comportava 22% e a UNTAET 4%. Os restantes 6 % dividiam-se pelas
organizações não-governamentais (ONG), 4%, e pelo
sector privado, 2%. (ETTA web page). A situação de desemprego
é mais grave no meio urbano "nas cidades, 4 em cada 5 pessoas
estão desempregadas" (Asiaweek, 5-5-2000), "na ordem dos
80%" (Reuters, 5-5-2000). top
2. administração
e serviços públicos
A ETTA definiu como estratégia
de actuação para o período de transição
"manter
o n.º de funcionários públicos pequeno, mas adequado,
avançar para uma tabela salarial competitiva e criar um ambiente
de trabalho estimulante através de incentivos não-monetários"(ETTA
web page).
a) emprego público
-
o número de funcionários públicos
a contratar foi fixado em cerca de 12.200, 36% do n.º existente (34
mil) sob a administração indonésia. Até ao
final do ano [2000], espera-se que aproximadamente 7.000 postos estejam
criados nos serviços civis, mais 1.000 postos estão previstos
até Junho 2001 (Sérgio V. de Mello ao Diário de Notícias,
8-5-2000), dos quais a maioria será ocupada por professores, funcionários
da saúde e polícias. Este limite foi estabelecido tendo em
consideração a dimensão e os recursos do país:
"a
UNTAET sabe que apenas pode estabelecer os serviços básicos
que Timor Leste poderá posteriormente manter. (...) não podemos
construir o que os timorenses não vão ser capazes de suportar",
disse um funcionário australiano (The Australian, 26-6-2000).
-
Apesar de nos últimos anos da presença
indonésia, o n.º de funcionários administrativos timorenses
ser significativo (aproximadamente 25 mil), estes ocupavam geralmente posições
de pouca responsabilidade, resultando em praticamente nenhuma experiência
administrativa (The Australian, 26-6-2000).
-
Andrew Whitley [Director do departamento de
serviço público da UNTAET] decidiu anunciar as vagas existentes
na administração junto dos timorenses ainda residentes na
Indonésia e aceitar a candidatura de qualquer pessoa que não
tivesse sido acusada de um crime grave (Foreign Affairs, 24-6-2000).
-
Na 1ª fase de uma campanha da UNTAET,
para o registo dos antigos funcionários da administração
indonésia presentes em Timor Leste, foram registados 17.500 até
ao início de Outubro. O objectivo desta acção prende-se
com a necessidade de ter dados concretos nas negociações
sobre o pagamento das reformas àqueles funcionários pela
Indonésia (UNTAET, 6-10-2000).
-
A 2 de Agosto foi contratado o 1º funcionário
público timorense a título permanente. Desde essa data, 49%
das vagas destinadas a funcionários timorenses foram preenchidas.
Em Novembro, o n.º de funcionários públicos era 5.969
(UNTAET, 17-11). O aparente aumento em relação ao n.º
de funcionários do serviço público contido no quadro
geral da página de Internet (3.997) deve-se à incorporação
de parte dos professores anteriormente remunerados pela UNICEF a título
provisório (6.862). Em números absolutos representa na realidade
uma forte diminuição do emprego neste sector (de 10.859 para
5.969). Por seu lado, a UNTAET despediu 273 dos 500 guardas de segurança
que tinha admitido seis meses antes (UNTAET, 24-10-2000).
b) serviços públicos
-
O Campus da Administração Pública,
em Comoro, Díli, foi inaugurado a 8 de Maio. Este engloba a Comissão
de Serviço Público, o Escritório de Recrutamento Central
da Administração e a Academia da Administração
Pública. A Academia realizará cursos de línguas, de
gestão e de informática para funcionários públicos
timorenses e para jovens desempregados à procura de melhores habilitações.
Até ao final de 2000, estima-se que 600 pessoas terão completado
o programa da Academia (ETTA web page).
-
A Comissão de Serviço Público
substituiu 3 dos seus anteriores membros, sendo actualmente composta por
6 timorenses e 1 estrangeiro. Este órgão tem por missão
estabelecer as políticas, os procedimentos e as directrizes da administração
pública de Timor Leste [para mais informações ver
EMP01 e GOV01].
-
O primeiro centro de emprego abriu em Díli
no final de Agosto. Este terá como tarefa localizar oportunidades
de emprego existentes no distrito e, ainda, divulgar e informar sobre cursos
de formação (UNTAET, 22-8-2000).
top
3. salários e condições
de trabalho
-
Uma tabela salarial provisória foi
estabelecida [variando entre cerca de 77 e 318 dólares por mês
para as categorias entre trabalhador não-qualificado e administrador
sénior], tal como regras definindo os regimes de horário
laboral e horas extraordinárias. Esta tabela e regras destinam-se
unicamente aos funcionários da ETTA (ETTA web page, Abril, e UNTAET,
5-5-2000).
-
Para os trabalhadores timorenses da UNTAET,
das agências das Nações Unidas, das diversas ONG e
do sector privado não está previsto ou legislado qualquer
regime de salários ou condições de trabalho mínimos.
A UNTAET apenas aconselha um montante máximo a pagar por dia a um
trabalhador não-qualificado de 5-6 USD, pagando entre 6 e 7,5 USD
aos timorenses que participam nos programas de limpeza de ruas (Green Left
Weekly, 3-5-2000); o dono, australiano, do supermercado ‘Hello Mister’
paga aos seus empregados 20.000 rupías [cerca de 4 USD], mais prémio
de produtividade (Australian Financial Review, 29-8-2000). "O pagamento
diário de um trabalhador timorense, $6 por dia [6 dólares
australianos, ou seja, 3,5 USD] equivale actualmente a 2 cappuccinos"
(St. Petersburg Times, 16-6-2000).
-
A presença dos funcionários
internacionais, a quem são pagos salários muito altos, provocou
o aumento drástico e brusco dos preços dos bens, e assim
da inflação. O sentimento de frustração, já
existente em relação às altas expectativas que os
timorenses nutriam para este primeiro ano de "independência", acentua-se
face à justaposição de duas sociedades: "o influxo
de estrangeiros criou de facto duas sociedades – uma pobre e desempregada,
a outra rica e com emprego." (Los Angeles Times, David Lamb, 22-06-2000).
Para alguns timorenses a presença estrangeira é considerada
como "uma segunda invasão" (ABC/BBC, 7-5-2000), alimentando
reivindicações sociais e frequentes movimentos de greve.
-
Se as reivindicações têm
motivos objectivos que as legitimam - a inflação importada
atinge realmente o nível de vida dos timorenses - estas têm
igualmente uma componente subjectiva - o desejo de aproximação
aos vencimentos dos funcionários estrangeiros – o que pode provocar
graves desequilíbrios, presentes e futuros, na sociedade timorense.
Exemplo flagrante, foi o da reivindicação dos novos juizes
timorenses de um aumento de 361 USD para 3000 (UNTAET, 10-10-2000). Todas
estas questões são novas para os timorenses que nunca tiveram
possibilidade, nem estruturas, de diálogo com o poder indonésio.
Foi o próprio S. Vieira de Mello que, para pôr fim a uma greve,
sugeriu aos grevistas da UNTAET a constituição de uma associação
que os representasse e assim pudesse dialogar com ele (UNTAET, 5-5-2000).
-
A contenção dos salários
é justificada pela UNTAET com base na futura sustentação
do sector público pelo futuro governo timorense (UNTAET, 10-10-2000)
e, mais geralmente, na falta de qualificações dos timorenses.
A exigência de conhecimentos de informática e inglês
[que a maioria dos timorenses não possui] influencia a avaliação
negativa das suas qualificações e ninguém parece questionar
a prioridade dada a estes cursos na recentemente formada Academia de Serviço
Público (ETTA web page & UNTAET, 8-5-2000), em prejuízo
de qualificações mais básicas. Curiosamente, o argumento
da sustentabilidade, tão frequentemente invocado nas questões
financeiras, é esquecido em muitos outros sectores.
top
4. programas e outros fundos
a) Quick Impact Projects (QIP)
O financiamento para este tipo projectos
está disponível através de 3 fundos: UNTAET (1 milhão
de USD), OCHA (150 mil USD) e UNHCR (200 mil USD), distribuídos
equitativamente pelos 13 distritos.
Os projectos são apresentados por
organizações (nacionais ou internacionais) ou por grupos
de cidadãos, com o duplo objectivo de reabilitar as infra-estruturas
públicas e gerar rendimentos imediatos (a maioria são empregos
de curta-duração) a populações sem recursos,
ou fornecer-lhes os instrumentos básicos para o relançamento
da sua actividade económica. Visam também criar capacidades
e responsabilização comunitária. Entre os projectos
realizados salientam-se a reconstrução de estradas, redes
de fornecimento de água, centro de saúde, etc, mas também
o apoio à produção de ‘tais’ - têxteis tradicionais
timorenses - ou o fornecimento de alfaias para a actividade agrícola.
Os QIPs deram resposta a necessidades imediatas,
em contraponto aos outros programas de reconstrução demasiado
lentos. A maior dificuldade residiu na falta de organizações
ou grupos capazes de elaborar projectos ao nível dos sub-distritos.
A sua continuação em 2001 não está assegurada
(UNTAET, 2-5 a 26-10-2000).
b) Transitional Employment Program (TEP)
Este programa, financiado pela USAID em
mais de 13 milhões de dólares, visa particularmente dar emprego
aos jovens numa actividade em benefício da colectividade, fomentando
o sentido de participação na reconstrução do
país e a confiança nos dirigentes comunitários e na
UNTAET. Os projectos são elaborados e conduzidos em colaboração
com os Administradores de Distritos, representantes locais e ONGs (ETTA,
web page).
Até Outubro, 50.000 pessoas foram
envolvidas, de forma rotativa e temporária, em obras de limpeza
de estradas, sistemas de drenagem, mercados, estruturas desportivas, reparação
de escolas e edifícios comunitários.
Em Setembro, foi lançado o TEPS
– II (Transitional Engagement for Population Support) com uma base de intervenção
mais orientada para o desenvolvimento comunitário (USAID, 3-10-2000).
c) East Timor Community Assistance Sheme
(ETCAS)
Financiado pela AusAID (800 mil dólares
australianos), este programa apoia actividades de treino em carpintaria,
pesca, plantação de amoreiras para a seda e educação
em direitos humanos. Estas acções providenciaram emprego
ou sustento a uma estimativa de 1.200 pessoas (AusAID ET Update, 31-8-2000).
d) Dili Community Employment Generation
Project
Projecto do Banco Mundial e do PNUD, com
um total de financiamento de 499.000 USD para 5 meses, que acabará
em Dezembro. No total, terá dado emprego a cerca de 5 mil pessoas,
das mais pobres do distrito de Díli, numa duração
média de 20 dias., em obras de limpeza (Banco Mundial TFET).
e) Community Empowerment and Local Governance
Project (CEP)
O CEP é financiado pelo Trust Fund
das NU num total de 22,5 milhões de USD sobre 2 anos ½ [a
primeira tranche é de 7 milhões]. O programa tem como objectivo
criar estruturas locais de governo, transparentes, participadas e responsáveis.
Na 1ª fase, os Conselhos eleitos democraticamente devem conduzir as
comunidades a reabilitar as infra-estruturas económicas essenciais
e a reiniciar as actividades económicas. No início de Novembro,
408 conselhos de aldeia e 57 de sub-distritos (6.207 membros) tinham sido
eleitos; as eleições foram interrompidas em 3 sub-distritos
do distrito de Suai, perto da fronteira, devido à falta de segurança.
Até ao momento, foram aprovados 619 projectos: salas de reunião
(43%), caminhos e infra estruturas agrícolas (25%), recuperação
de equipamentos produtivos (15%), redes de água (10%), escolas e
postos de saúde (7%).
Uma missão composta pela USAID,
AUSAID, Banco Mundial e Banco Asiático de Desenvolvimento avalia
no terreno o grau de inclusão social e de género, a informação
e comunicação ao nível das comunidades, a formação
e papel dos conselhos e das ONGs, o impacto dos mecanismos de desenvolvimento
comunitário sobre os mercados e a economia rural. Os projectos avaliados
pertencem aos TEPs, ETCAS, CEP e Dili CEGP (Banco Mundial TFET).
f) Return of Qualified Nationals Programme
(RQN)
Criado pela Organização Internacional
das Migrações (OIM) para reforçar as capacidades técnicas
dos sectores público e privado com o regresso de 300 timorenses
especializados, o programa ficou aquém de cumprir o seu objectivo.
Em Maio, a OIM tinha recebido ofertas de emprego para 21 timorenses na
diáspora; em Outubro, anunciava 84 vagas em Timor, mas sem mencionar
quantos retornos se concretizaram ao abrigo do programa.
g) programas bi ou multilaterais
Noruega, Reino Unidos, Japão, Austrália
e Portugal financiam outros programas de criação de emprego,
a maioria para a reparação de estradas (UNTAET, 5-7-2000).
top
5. sector privado
a) Small Enterprise Project (SEP)
O SEP foi criado no quadro do Trust Fund
das NU com um orçamento 10 milhões de USD para um período
de 2 anos. A 1ª fase, de 4.850 mil dólares para 2000, prevê,
por um lado, uma linha de crédito [4 milhões] e, por outro,
um subsídio para apoiar um Serviço de Propriedade [850 mil].
O montante de crédito por projecto varia entre 500 e 50.000 USD,
devendo ser repostos em 36 meses, com juro de 10% ao ano. O total dos pedidos
ascendeu aos 30 milhões de USD, 7 vezes e meia o montante disponível,
o que foi interpretado por S Vieira de Mello como um sinal do interesse
dos timorenses em criar pequenas empresas. Dos 2.100 pedidos apresentados
muitos foram recusados por não serem viáveis, o que juntamente
com a lentidão das respostas, em resultado do grande número
de candidaturas, causou algum descontentamento. O montante de 307 mil USD
atribuído a cada distrito esgotou-se rapidamente no distrito de
Dili, mas nos restantes 12 distritos só foi aprovado em média,
até meados de Setembro, cerca de um terço deste montante.
Os sectores de actividade contemplados incluem os transportes, a venda
a retalho, a mecânica agrícola, a restauração,
a carpintaria, a padaria, a costura, a fabricação de tijolos,
as pescas e o comércio de gado. O valor médio dos 190 créditos
aprovados nesta 1ª fase foi de 10.000 USD, criando 900 postos de trabalho,
mais que os 700 inicialmente previstos. 17% dos empréstimos desembolsados
(num total de 2.691 milhões de USD) foram atribuídos a projectos
apresentados por mulheres (BM TFET).
b) Microfinance Development Program
Aprovado em Setembro pelo Banco Asiático
do Desenvolvimento (ADB), com um financiamento de 7.8 milhões de
dólares do fundo multilateral para Timor Leste, este programa será
posto em prática pela UNTAET, devendo começar em Dezembro.
O projecto tem como objectivo global fortalecer e capacitar as comunidades
mais pobres através de instrumentos de crédito e formação
empresarial.
Os seus componentes principais são:
o financiamento de micro-empresas no meio rural; o reforço institucional,
com a reabilitação de 20 a 24 cooperativas de crédito,
o apoio aos seus 6000 membros no decorrer do 1º ano e a criação
de um Banco de micro-crédito; e a gestão de projectos (ADB,
22-9-2000; BM TFET, 9-11-2000).
c) Oportunidades de negócio &
investimento estrangeiro
Só 10% dos 1048 negócios
registados junto da UNTAET (no início de Maio?) estavam efectivamente
a funcionar. Cerca de 90% eram quiosques e lojas de produtos de 1ª
necessidade. A maioria esperava empréstimos para os efectivar (ETTA
web page). No final de Julho, já estavam registados 2.977 negócios,
os mais visíveis pertencem a estrangeiros, sobretudo a australianos.
Os seus hotéis, restaurantes, supermercados, seguem as missões
de manutenção da paz das NU e os funcionários internacionais
com produtos e preços fora do alcance da população
local: "A economia de Timor Leste parece-se com o faroeste à
medida que homens de negócios estrangeiros tentam obter lucros rápidos"
(St Petersburg Times, 16-6-2000).
O investimento estrangeiro foi identificado
pela UNTAET como sendo uma das áreas prioritárias para o
desenvolvimento do território. Nesse sentido, foi criado um gabinete
de promoção do investimento, de forma a "fornecer uma
resposta coordenada a propostas de investimento, desenvolver políticas
de investimento e promover Timor Leste como destino de investimento estrangeiro"
(Investment News no. 1, 8-7-2000). Porém, dois entraves maiores
subsistem refere Jean-Christian Cady, vice-administrador transitório:
"o
investimento estrangeiro privado virá para Timor Leste quando dois
critérios estiverem preenchidos - segurança pública
e segurança do direito de propriedade. Ele salientou que a segurança
pública já tinha sido alcançada, mas o direito de
propriedade continua um desafio" (UNTAET Department of Public Information,
24-5-2000).
top
Conclusão:
-
As qualificações dos candidatos
aos empregos, em particular para a função pública,
devem ser ajuizadas em função das realidades locais e não
no âmbito de um quadro importado, estranho a essas realidades. É
neste sentido que, desde a chegada da UNTAET, o conhecimento da
língua inglesa se apresenta como uma qualificação
prioritária para a administração das N.U., mas não
para Timor Leste. Dito isso, é evidente que há uma grande
falta de qualificações técnicas em muitos sectores,
a solução está na formação e na aquisição
de experiência, mesmo sabendo e aceitando que isso levará
tempo. A criação da Academia da Administração
Pública para a formação de quadros, bem como a nomeação
de quadros timorenses aos diferentes níveis de responsabilidades
são passos necessários antes mesmo da data da independência.
-
As profundas disparidades entre os salários
praticados para timorenses e para estrangeiros são um factor de
perturbação. O número de funcionários estrangeiros
deve ser limitado, quanto antes, estes deverão assumir um papel
de formadores e conselheiros, não de substituição.
-
Os programas de trabalho temporário
foram uma solução de recurso perante uma situação
excepcional, mesmo que possam ou devam ser prolongados, porque a
situação continua excepcional, a verdadeira saída
para o desemprego generalizado está no sector privado - na capacidade
da população de criar as bases do seu aparelho produtivo
orientado para o território e a população no estádio
em que se encontram actualmente. As diferentes formas de crédito
e particularmente o micro crédito parecem as formas mais adaptadas
à fase actual. O grande número de projectos submetidos, tendo
em consideração a história de Timor Leste, mostra
que existe motivação e vontade de serem os próprios
timorenses a reconstruírem e a impulsionarem o desenvolvimento do
território.
-
Sempre que se abordam as questões relativas
ao emprego, e não só, é indispensável ter presente
o facto de que 80 a 90 % da população timorense trabalha
e está na dependência directa da agricultura.
top
Nota:
Documentos
e informações recolhidos sobre este assunto foram reunidos
pelo Observatório Timor Leste num caderno temático "Employment
- ref. EMP02" de 45 páginas (para mais informações
e encomendas contactar o Observatório Timor Leste).
Observatório para o acompanhamento
do processo de transição em Timor Leste um programa da 'Comissão
para os Direitos do Povo Maubere'
Coordenadora: Cláudia Santos
Rua Pinheiro Chagas, 77 2ºE - 1069-069
Lisboa - Portugal
tel.: 21 317 28 60 - fax:
21 317 28 70 - correio electrónico:
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URL: http://homepage.esoterica.pt/~cdpm
Observatório
Timor Leste
Duas Organizações Não
Governamentais portuguesas, a COMISSÃO PARA OS DIREITOS DO POVO
MAUBERE (CDPM) e o grupo ecuménico A PAZ É POSSÍVEL
EM TIMOR LESTE que, desde o início da década de oitenta,
se solidarizam com a causa do Povo de Timor Leste, tomaram a decisão
de criar o OBSERVATÓRIO TIMOR LESTE. A vocação do
Observatório Timor Leste é, no quadro das recentes alterações
do regime de Jacarta face a Timor Leste, o acompanhamento, a nível
internacional, do processo negocial e, no interior do território,
do inevitável período de transição que se anuncia.
E-mail: cdpm@esoterica.pt
Homepage: http://homepage.esoterica.pt/~cdpm/framep.htm
English:
East
Timor Observatory
ETO was set up by two Portuguese NGOs
- the Commission for the Rights of the Maubere People (CDPM) and
the ecumenical group Peace is Possible in East Timor, which
have been involved in East Timor solidarity work since the early eighties.
The aim of the Observatory was to monitor East Timor's transition process,
as well as the negotiating process and its repercussions at international
level, and the developments in the situation inside the territory itself.
E-mail: cdpm@esoterica.pt
Homepage: http://homepage.esoterica.pt/~cdpm/frameI.htm
French:
Observatoire
Timor-Oriental
Deux Organisations Non Gouvernementales
portugaises, la ‘Commission pour les Droits du Peuple Maubere’ et l’association
oecuménique "La Paix est Possible au Timor Oriental", qui se solidarisent
avec la cause du peuple du Timor Oriental depuis le début des années
80, ont pris la décision de créer un OBSERVATOIRE TIMOR ORIENTAL.
La vocation de cet observatoire est d’accompagner le processus de transition
du Timor Oriental, aussi bien le processus de négociation que ses
répercussions au niveau international et l’évolution de la
situation à l’intérieur du territoire.
E-mail: cdpm@esoterica.pt
Homepage: http://homepage.esoterica.pt/~cdpm/framef.htm
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